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Vazamento de dados: o que fazer se seus dados vazaram
Seus dados vazaram? Passo a passo: trocar senhas, avisar o banco, consultar Registrato, registrar BO, prazos da LGPD e como reclamar na ANPD.
Recebeu um aviso de que seus dados vazaram, ou viu seu nome numa lista de um incidente? O risco real raramente é o vazamento em si, e sim o que vem depois: golpes mais convincentes, tomada de contas e abertura de contas, linhas ou empréstimos em seu nome. Este guia reúne o passo a passo recomendado pelo CERT.br, os prazos que a empresa responsável precisa cumprir pela LGPD e como reclamar na ANPD se nada for resolvido.
Como saber se meus dados vazaram de verdade?
Comece confirmando o incidente por canais oficiais: o site, o aplicativo ou o atendimento da empresa, nunca o link de uma mensagem recebida. O CERT.br recomenda descobrir quais dados foram expostos, quando o incidente aconteceu e que medidas a organização adotou, e seguir as orientações que ela der. Ele também alerta para não comprar dados vazados nem usar sites ou arquivos que prometem "consultar" ou exibir vazamentos: muitos são armadilhas para roubar mais dados ou instalar programas maliciosos.
Desde 2024, a empresa tem obrigação de avisar. Pela Resolução CD/ANPD nº 15, de 24 de abril de 2024, o controlador deve comunicar a ANPD e os titulares afetados em três dias úteis a partir do momento em que sabe que o incidente atingiu dados pessoais, quando houver risco ou dano relevante, segundo análise do escritório Mayer Brown. O aviso deve descrever os dados afetados, os riscos, as medidas tomadas e um contato, inclusive do encarregado (DPO), e de preferência sugerir o que você pode fazer para se proteger.
Quais vazamentos a empresa é obrigada a comunicar?
Nem todo incidente gera aviso. A regra vale quando o caso pode afetar significativamente os direitos dos titulares e envolve pelo menos um destes elementos, de acordo com o resumo da Resolução nº 15:
| Tipo de dado ou situação | Exemplo | Risco mais comum depois do vazamento |
|---|---|---|
| Dados financeiros | cartão, conta, renda | compras indevidas, golpe da falsa central |
| Dados de autenticação | login, senha, token | tomada de conta (e-mail, banco, redes sociais) |
| Dados sensíveis | saúde, biometria | extorsão, fraude de identidade |
| Dados de crianças, adolescentes ou idosos | cadastros escolares, benefícios | golpes direcionados a famílias e aposentados |
| Dados sob sigilo legal, judicial ou profissional | processos, prontuários | chantagem, engenharia social |
| Tratamento em larga escala | bases com milhões de registros | campanhas massivas de phishing |
Mesmo quando não precisa avisar, a empresa deve registrar todos os incidentes e guardar esse registro por pelo menos cinco anos. Agentes de pequeno porte têm regras diferenciadas.
O que fazer primeiro: senhas, contas e bancos
As recomendações do CERT.br seguem uma ordem prática:
- Troque as senhas expostas em todos os serviços em que você as usava, e não repita senhas. Se perdeu o acesso a uma conta, use o procedimento oficial de recuperação da plataforma.
- Ative a verificação em duas etapas nas contas que ainda não têm. Chaves de acesso (passkeys) e aplicativos autenticadores resistem melhor a golpes do que o código por SMS; veja nosso guia sobre passkeys e MFA.
- Revise o histórico de acessos de e-mail, redes sociais e bancos, e denuncie entradas que você não reconhece.
- Avise seu banco se dados bancários ou de cartão foram expostos: confira extratos, conteste cobranças irregulares pelos canais oficiais e bloqueie ou troque os cartões.
Como verificar se abriram contas ou linhas no meu CPF?
O CERT.br indica três checagens periódicas:
- Registrato, do Banco Central: mostra contas, empréstimos e chaves Pix ligados ao seu CPF. Uma conta ou dívida que você não reconhece é sinal de fraude de identidade.
- Cadastro Pré-Pago: permite ver se alguma linha de celular pré-paga foi habilitada com o seu CPF, o que pode ser usado para golpes e para receber códigos em seu nome.
- Score de crédito: uma queda repentina pode indicar que alguém está usando sua identidade.
Ative também alertas de movimentação de contas e cartões no aplicativo do banco.
Por que os golpes aumentam depois de um vazamento?
Com nome, CPF, telefone e até o histórico de compras em mãos, o golpista consegue montar uma abordagem crível: a "central do banco" que sabe seu endereço, a "loja" que cita seu último pedido, o "parente" com número novo. O CERT.br orienta a não clicar em links de e-mails ou SMS, mesmo convincentes, a confirmar os dados de quem recebe antes de qualquer transferência e a denunciar perfis falsos em seu nome, avisando seus contatos. Entenda os roteiros mais comuns em golpe da falsa central e do motoboy e golpes no WhatsApp.
Quando registrar boletim de ocorrência?
Registre BO se alguém estiver se passando por você, se houve prejuízo financeiro ou se você estiver sendo extorquido. O documento costuma ser exigido para contestar fraudes e acionar seguros, segundo o CERT.br. A ANPD também orienta procurar a autoridade policial em caso de suspeita de fraude.
Como reclamar na ANPD se a empresa não responder?
A ANPD só aceita a petição de titular depois que você tentou resolver com a empresa. O fluxo descrito pela própria autoridade é:
- Faça um pedido formal ao controlador (a empresa ou órgão que trata seus dados) e guarde protocolo, mensagens e e-mails.
- Se o pedido não for atendido, peticione na ANPD com base no art. 55-J, V, da LGPD, anexando a prova do pedido anterior, sua identificação e a identificação da empresa.
- O envio é eletrônico, pelo SEI, ou pelo serviço do gov.br para requerimentos relacionados à LGPD.
Ajuste a expectativa: a ANPD informa que costuma analisar as petições de forma agregada e pode não intervir em cada caso individual, mas as reclamações orientam quais temas ela escolhe fiscalizar. Para ligações indesejadas de telemarketing de operadoras e instituições financeiras, a autoridade indica o cadastro no Não Me Perturbe. Saiba mais sobre a atuação do órgão em LGPD na prática: o que a ANPD fiscaliza e no painel de regulação do Brasil.
O que fazer / Como se proteger — resumo
- Confirme o vazamento só por canais oficiais da empresa.
- Troque senhas repetidas e ative verificação em duas etapas.
- Avise o banco se dados financeiros vazaram; bloqueie cartões.
- Consulte Registrato, Cadastro Pré-Pago e seu score de crédito.
- Redobre a atenção com links, ligações e pedidos de Pix.
- Registre BO se houver prejuízo, extorsão ou uso da sua identidade.
- Peça explicações à empresa; sem resposta, peticione na ANPD.
Acompanhe os incidentes recentes no radar e o histórico em maiores vazamentos de dados no Brasil.
Fonte
- CERT.br — Fascículo Vazamento de Dados
- ANPD — Fluxo da petição do titular
- gov.br — Requerimento relacionado à LGPD
- Mayer Brown — Resolução CD/ANPD nº 15