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Vazamentos na saúde dos EUA: o caso Change Healthcare e a HIPAA

O ataque à Change Healthcare expôs dados de 192,7 milhões de pessoas. Veja os números de vazamentos na saúde dos EUA e o que muda na regra de segurança HIPAA.

Em fevereiro de 2024, criminosos entraram num portal de acesso remoto da Change Healthcare, empresa do UnitedHealth Group que processa grande parte das cobranças médicas dos EUA. O portal não tinha autenticação multifator. Nove dias depois, veio o ransomware. O resultado foi o maior vazamento de dados de saúde da história americana.

O ataque, passo a passo

  • 12/fev/2024: acesso com credenciais roubadas a um portal Citrix sem MFA.
  • 21/fev/2024: a empresa divulga a pane; o grupo BlackCat/ALPHV assume o ataque.
  • Resgate: a UnitedHealth confirmou o pagamento; uma carteira ligada ao grupo recebeu US$ 22 milhões. Depois, o afiliado teria levado os dados ao grupo RansomHub para exigir mais.
  • Impacto: farmácias e clínicas ficaram sem processar cobranças; os empréstimos emergenciais da UnitedHealth a prestadores passaram de US$ 8,9 bilhões.
  • Custo: cerca de US$ 2,87 bilhões estimados para 2024.
  • 31/jul/2025: o número de afetados sobe para 192,7 milhões de pessoas.

Os números do setor

AnoGrandes vazamentos (500+)Pessoas afetadas
2024741mais de 289 milhões
2025772cerca de 138,5 milhões
2026 (jan–abr)252em apuração

Segundo o HIPAA Journal, ataques hacker e incidentes de TI responderam por mais de 80% dos grandes vazamentos em 2025. Outros casos recentes: Conduent (cerca de 62,2 milhões), Aflac (cerca de 13,9 milhões) e DentaQuest (15 milhões).

A saúde é alvo preferencial porque reúne dados que não podem ser trocados como uma senha, porque a interrupção do atendimento pressiona pelo pagamento do resgate e porque intermediários como a Change concentram o fluxo de milhares de prestadores.

O problema dos fornecedores

O HIPAA Journal contabiliza 139 grandes vazamentos informados por "business associates" (fornecedores com acesso a dados) em 2025, número que subestima o problema porque muitos são reportados pelos próprios hospitais. A Change atende mais de 30 mil farmácias, e por isso sua pane chegou a pacientes do país inteiro. O primeiro registro no portal do HHS listava só 500 pessoas, como estimativa provisória.

A conta do ransomware

Até o terceiro trimestre de 2024, a UnitedHealth havia contabilizado cerca de US$ 1,7 bilhão em custos diretos de resposta e US$ 747 milhões em custos de interrupção dos negócios no ano. Os prestadores tinham devolvido cerca de US$ 3,2 bilhões dos empréstimos emergenciais.

A reforma da HIPAA

Em janeiro de 2025, o Departamento de Saúde (HHS) propôs a primeira grande revisão da Regra de Segurança da HIPAA em mais de uma década. Pelo texto, seriam obrigatórios criptografia de dados de saúde em repouso e em trânsito, autenticação multifator e todas as salvaguardas hoje apenas "recomendáveis". A proposta sofreu críticas do setor pelo custo e, segundo o escritório Holland & Knight, a versão final só deve sair por volta de julho de 2027.

Os dados expostos na Change provavelmente incluíram nomes, números de Seguro Social, históricos médicos, informações de seguro e dados de pagamento. O CEO Andrew Witty chegou a dizer ao Congresso, em maio de 2024, que cerca de um terço da população americana poderia ter sido afetada.

O que fazer

  • Organizações: exigir MFA em todo acesso remoto, mapear fornecedores com acesso a dados, testar planos de contingência para semanas sem o intermediário de cobrança e manter backups off-line.
  • Pacientes: ler os avisos de vazamento, aderir ao monitoramento de crédito oferecido, considerar congelar o crédito e conferir extratos do plano de saúde.
  • Todos: desconfiar de ligações e e-mails que citam o vazamento; golpistas exploram a notícia.

Para o Brasil, a lição é direta: hospitais, operadoras e laboratórios lidam com dados sensíveis sob a LGPD, e um único fornecedor sem MFA pode parar uma rede inteira.

Fonte

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