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Golpes no WhatsApp e falso parente: como se proteger e o que diz a lei
Clonagem, “novo número” e falso parente: como funcionam os golpes no WhatsApp, o que muda com a Lei 15.397/2026 e o passo a passo para se proteger.
"Oi, mãe, troquei de número. Pode me fazer um Pix urgente?" A mensagem é curta, vem com a foto de um filho ou neto no perfil e explora o reflexo de ajudar quem amamos. O golpe do falso parente e a clonagem de contas de WhatsApp estão entre as fraudes mais comuns do Brasil. Veja como funcionam, o que dizem os números e o que a lei prevê.
A dimensão do problema
Segundo a Febraban, o golpe do WhatsApp foi o tipo de fraude mais relatado por clientes de bancos em 2024, com cerca de 153 mil ocorrências, à frente da falsa venda e da falsa central (Agência Brasil). No primeiro semestre de 2025, foram 73 mil registros, queda de 9,9% sobre o mesmo período de 2024, enquanto outros golpes dispararam (IstoÉ Dinheiro).
O pano de fundo é o crescimento do estelionato em geral. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, contou 2.261.055 casos em 2025, alta de 429,8% sobre 2018, primeiro ano da série. Uma pesquisa do FBSP de março de 2026 estimou que 15,8% dos brasileiros com 16 anos ou mais, cerca de 26,3 milhões de pessoas, foram vítimas de golpe ou perderam dinheiro pela internet ou por telefone no ano anterior (Brasil 61).
Três golpes diferentes, um mesmo objetivo
1. Clonagem da conta
O criminoso tenta registrar o WhatsApp da vítima em outro aparelho. Para isso, precisa do código de seis dígitos enviado por SMS. Ele inventa um pretexto (suporte técnico, confirmação de anúncio, agendamento de consulta) e pede que a vítima repasse o código. Com a conta em mãos, escreve aos contatos pedindo dinheiro. A Exame descreve outras variantes: interceptação do código, troca de chip (SIM swap) junto à operadora e malware ou links que capturam sessões do WhatsApp Web sem desconectar o celular da vítima (Exame).
2. Falso parente ou "novo número"
Aqui não há invasão. O golpista cria uma conta nova com a foto de um familiar, obtida em redes sociais, e diz que trocou de número. Em seguida, alega uma emergência e pede um Pix, muitas vezes para a conta de um "amigo" ou de um terceiro. Em outra variação, o criminoso usa a conta clonada de um parente verdadeiro (O Antagonista).
3. Falsas empresas e funcionários
Mensagens se passam por lojas, bancos ou serviços para pedir dados, cobrar boletos ou oferecer empréstimos. O padrão é sempre o mesmo: urgência, pedido de transferência e conta de terceiros.
| Golpe | Como começa | Sinal de alerta |
|---|---|---|
| Clonagem | Pedido do código de seis dígitos | Ninguém legítimo pede esse código |
| Falso parente | "Troquei de número" | Pedido de Pix urgente para conta de outra pessoa |
| SIM swap | Celular perde sinal de repente | Códigos chegando sem você pedir |
| Sessão web roubada | Link ou QR code recebido | Dispositivos desconhecidos em "Aparelhos conectados" |
O que diz a lei
Desde 2021, o artigo 171 do Código Penal tem um parágrafo específico para a fraude cometida com informações obtidas por redes sociais, contatos telefônicos ou meios semelhantes, a chamada fraude eletrônica (Aos Fatos).
Em 4 de maio de 2026 foi sancionada a Lei 15.397/2026, com vigência imediata. Ela cria a figura do estelionato qualificado por fraude eletrônica em golpes feitos por meio da clonagem de dispositivo, como celular ou computador, com pena de 4 a 8 anos de reclusão e multa. A mesma lei tipifica a cessão de conta bancária para movimentar dinheiro de crimes, com pena de 1 a 5 anos, o que atinge diretamente as contas laranja que recebem o Pix do golpe (Finsiders).
Para a vítima, a via cível também existe: o caso pode ser levado ao banco e, se houver falha na prestação do serviço, à Justiça. A responsabilidade depende das circunstâncias de cada caso.
Como se proteger
- Nunca compartilhe o código de seis dígitos do WhatsApp, nem com quem diz ser da própria empresa.
- Ative a verificação em duas etapas (Configurações > Conta) e evite PINs óbvios, como datas de aniversário.
- Restrinja a foto de perfil aos seus contatos.
- Confirme por outro canal: ligue para o número antigo do parente ou faça uma pergunta que só ele saberia responder.
- Combine uma palavra-chave com a família para emergências.
- Peça à operadora bloqueio de portabilidade ou autenticação extra contra SIM swap.
- Revise "Aparelhos conectados" regularmente e desconecte sessões desconhecidas.
O que fazer se cair no golpe
- Avise seus contatos por outro meio de que sua conta foi clonada.
- Reinstale o WhatsApp e entre com seu número para derrubar o invasor; se não conseguir, peça ao suporte do aplicativo a desativação.
- Se fez um Pix, procure seu banco imediatamente e peça a abertura do MED (Mecanismo Especial de Devolução). Quanto antes, maior a chance de recuperar.
- Registre boletim de ocorrência, guardando prints, números e comprovantes.
Fonte
- Movimento Econômico / Agência Brasil – Febraban divulga os 10 golpes mais aplicados (2024)
- IstoÉ Dinheiro / Estadão Conteúdo – Golpe da falsa venda lidera ranking (1º semestre de 2025)
- Exame – Golpe do WhatsApp clonado: como funciona e como se proteger em 2026
- Brasil 61 – Anuário de Segurança Pública: mais de 2,2 milhões de estelionatos em 2025
- Aos Fatos – Um estelionato a cada 16 segundos
- O Antagonista – Golpe do falso parente no Pix faz novas vítimas
- Finsiders Brasil – Nova lei de golpes e fraudes digitais e contas laranjas (Lei 15.397/2026)