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Falsa central e golpe do motoboy: como funcionam e os números
Falsa central de atendimento cresceu 195,7% no 1º semestre de 2025, diz a Febraban. Veja como o golpe do motoboy funciona e como se proteger.
Uma ligação do "setor de segurança do banco", um alerta de compra suspeita, a orientação para desligar e ligar para o número do cartão e, no fim, um motoboy na porta para "recolher o cartão para perícia". A sequência combina dois dos golpes mais persistentes do país: a falsa central de atendimento e o falso motoboy. Dados da Febraban e operações policiais recentes mostram que a fraude segue em alta e mira sobretudo idosos.
O que dizem os números
Segundo levantamento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) com base em relatos de clientes, a falsa central (também chamada de golpe do falso funcionário) somou cerca de 105 mil ocorrências em 2024, atrás apenas do golpe do WhatsApp e da falsa venda. No mesmo ranking, o falso motoboy aparecia com cerca de 5 mil registros, de acordo com a Agência Brasil, reproduzida pelo Movimento Econômico.
Em 2025 o quadro piorou. No primeiro semestre, a falsa central chegou a 139 mil ocorrências, alta de 195,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, ficando em segundo lugar, atrás da falsa venda (174 mil), segundo dados da Febraban divulgados pelo Estadão Conteúdo e publicados pela IstoÉ Dinheiro. A entidade afirma que os bancos investem cerca de R$ 5 bilhões por ano em sistemas de proteção.
| Golpe | 2024 (ano) | 1º sem. 2025 |
|---|---|---|
| Falsa venda | 150 mil | 174 mil (+314%) |
| Falsa central / falso funcionário | 105 mil | 139 mil (+195,7%) |
| Golpe do WhatsApp | 153 mil | 73 mil (-9,9%) |
| Falso motoboy | 5 mil | não divulgado |
Fonte: Febraban, com base em relatos de clientes dos bancos associados. As variações de 2025 comparam com o 1º semestre de 2024.
Como funciona a falsa central
O criminoso se passa por funcionário do banco ou de uma empresa com a qual a vítima tem relação. Ele relata um problema na conta ou uma compra irregular, pede dados pessoais e financeiros e, em seguida, orienta transferências para "regularizar" a situação. Em reportagem de julho de 2026, a Consumidor Moderno descreveu as variações mais recentes:
- Número mascarado: o identificador de chamadas mostra o telefone verdadeiro do banco.
- "Sua agência está sob investigação": o golpista envia um boletim de ocorrência falso e pede que o dinheiro seja movido para uma suposta "conta segura".
- Aparelho desconhecido: a vítima é informada de que um novo celular foi vinculado à conta e é levada a informar senha e dados.
- Encenação de atendimento: a ligação passa por "departamentos" como Segurança e Ouvidoria, com a mesma música de espera usada pelos bancos.
Onde entra o motoboy
O falso motoboy é a etapa física do golpe. Depois de convencer a vítima de que o cartão foi clonado, o criminoso anuncia que alguém irá buscá-lo em casa. Uma operação da Polícia Civil de Alagoas, ainda em 2020, já descrevia o roteiro: dados obtidos ilegalmente, ligação de uma falsa central de cartões e envio de integrantes do grupo à casa das vítimas, sob o pretexto de perícia. Foram mais de 100 vítimas e prejuízo de cerca de R$ 1,3 milhão, segundo a TNH1.
O método ficou mais sofisticado. Em abril de 2026, a Polícia Civil de São Paulo deflagrou a Operação Chamada Bancária, com cinco mandados de prisão e sete de busca na zona norte da capital. Segundo o Metrópoles, o grupo usava uma URA (atendimento automático) que imitava centrais bancárias e mantinha a linha aberta: a vítima era instruída a desligar e ligar para o número do cartão, mas continuava falando com os criminosos. Depois, um motoboy buscava o cartão. Os alvos eram principalmente idosos.
No mesmo mês, em Goiânia, dois homens foram presos suspeitos de se passar por funcionários de farmácia, de banco e, depois, por policiais, usando motoboys de aplicativo para recolher cartões, celular e dinheiro. Com eles foram apreendidas 17 maquininhas de cartão, 12 cartões e quase R$ 19 mil em espécie, segundo o O Hoje. Uma das vítimas, de 75 anos, perdeu celular, R$ 1 mil em dinheiro e cerca de R$ 3 mil sacados da conta.
Por que o golpe funciona
A Febraban classifica a falsa central como engenharia social: o golpista explora medo e urgência, e usa informações verdadeiras da vítima, obtidas ilegalmente, para ganhar credibilidade. O detalhe do "ligue para o número do cartão" é especialmente eficaz porque reproduz exatamente o conselho de segurança que os bancos dão. Por isso, a orientação atual é ligar a partir de outro aparelho.
Como se proteger
- Banco não busca cartão em casa. Nenhuma instituição envia motoboy para recolher cartão, segundo a Febraban.
- Banco não pede senha, token ou transferência para "resolver" problemas, nem faz testes com Pix ou estornos. Se isso ocorrer, é golpe.
- Desconfie da urgência. Pressão para agir rapidamente é sinal de fraude.
- Desligue e ligue de outro telefone para o número oficial no verso do cartão ou no site do banco, nunca para números recebidos por mensagem.
- Não instale aplicativos a pedido de quem liga.
- Converse com familiares idosos, principais alvos dessas quadrilhas.
O que fazer se cair no golpe
- Avise o banco imediatamente pelos canais oficiais para bloquear cartões, aplicativo e senhas.
- Registre boletim de ocorrência (muitos estados permitem pela internet).
- Se houve Pix, peça ao banco a contestação pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED).
- Guarde números, horários, prints e qualquer comprovante.
A combinação de dados vazados, tecnologia de telefonia e encenação torna a falsa central difícil de reconhecer no calor da ligação. A regra que resolve a maioria dos casos é simples: na dúvida, desligue.
Fonte
- Movimento Econômico / Agência Brasil – Febraban divulga os 10 golpes mais aplicados (2024)
- IstoÉ Dinheiro / Estadão Conteúdo – Golpe da falsa venda lidera ranking (1º semestre de 2025)
- Consumidor Moderno – Golpe da falsa central bancária ganha novos disfarces
- Metrópoles – Operação Chamada Bancária (Polícia Civil de SP)
- O Hoje – Dupla suspeita de golpes bancários é presa em Goiânia
- TNH1 – Golpe do motoboy: nove presos em operação de AL, SP e MA