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Golpe do falso policial: ligação e videochamada para roubar seu rosto
Polícias de SC e RS alertam: golpistas se passam por policiais, citam investigação e pedem videochamada para capturar rosto e voz. Saiba como agir e se proteger.
Um telefonema de alguém que se apresenta como policial, diz que você está envolvido numa investigação e, em seguida, propõe resolver tudo por videochamada. Esse roteiro motivou alertas recentes de polícias no Sul do país. Em 28 de outubro de 2026, a Polícia Civil de Santa Catarina, pela Regional de Criciúma, avisou que criminosos ligam se passando por policiais da Delegacia de Investigação Criminal (DIC), exigem dados pessoais e ameaçam levar a pessoa a uma delegacia se ela não colaborar, segundo a Rádio Fundação Marconi. Uma semana antes, em 21 de outubro, o Jornal A Plateia, do Rio Grande do Sul, relatou alerta semelhante sobre falsos servidores de delegacias que oferecem a videochamada como "alternativa".
O objetivo final não é só arrancar dinheiro na hora. É capturar seu rosto e sua voz para usar depois em fraudes que dependem de biometria.
Como funciona o golpe do falso policial?
- O contato. A pessoa recebe uma ligação de alguém que diz ser policial ou servidor de delegacia. O identificador de chamadas pode até mostrar o nome de uma delegacia, porque esse dado pode ser falsificado.
- A credibilidade. O golpista cita dados pessoais verdadeiros da vítima (nome, CPF, endereço), em geral obtidos de vazamentos, e diz que ela aparece numa investigação.
- O medo. Ele exige comparecimento urgente a uma delegacia distante ou ameaça com consequências legais.
- A "saída fácil". Como alternativa, oferece resolver por videochamada, pedindo que a vítima mostre o rosto, vire a cabeça, fale frases ou exiba documentos.
- O uso posterior. Imagens e voz gravadas podem ser usadas para tentar burlar reconhecimento facial, acessar aplicativos e contas ou abrir cadastros em nome da vítima.
O que os criminosos fazem com seu rosto e sua voz?
Um alerta da Guarda Municipal de Campinas (SP), noticiado pelo Bonde em julho de 2026, descreve os usos mais comuns desse material:
- Abrir contas ou pedir empréstimos em nome da vítima, tentando enganar a verificação facial com telas ou projeções em alta definição.
- Clonar a voz para ligar a parentes simulando uma emergência e pedir transferências urgentes.
- Recuperar senhas de redes sociais ou e-mail que usam reconhecimento facial.
- Extorsão com vídeos manipulados por deepfake.
Ou seja, o prejuízo pode aparecer semanas depois, numa conta que você nem sabia que existia.
Polícia liga para intimar ou pedir dados?
Não da forma que o golpe descreve. A Polícia Civil de Santa Catarina afirmou que não pede informações por ligação telefônica ou mensagem. Órgãos públicos não intimam por telefone nem por redes sociais e não resolvem investigação por videochamada com quem ligou sem aviso. Conhecer seus dados pessoais também não prova que a pessoa é um agente público.
| O golpista diz | A realidade |
|---|---|
| "Você está sendo investigado e precisa vir agora" | Intimações seguem canais formais e prazos |
| "Podemos resolver por videochamada" | Polícia não colhe depoimento por vídeo em ligação inesperada |
| "Ligue para este número para confirmar" | Confira só no site oficial da Polícia Civil do seu estado |
| "Não conte a ninguém" | Pedido de sigilo é sinal clássico de golpe |
Golpe parecido nos EUA
O mesmo roteiro aparece fora do Brasil. Em 22 de outubro de 2026, a FTC, agência de defesa do consumidor dos EUA, alertou para ligações de falsos funcionários do órgão que transferem a vítima para um falso policial e pedem documentos e sigilo. Contamos a história em golpe da falsa FTC.
O que fazer / Como se proteger
- Desligue. Não discuta nem confirme dados.
- Recuse videochamadas de quem você não conhece e não mostre rosto nem documentos.
- Nunca passe senhas ou códigos recebidos por SMS ou aplicativo.
- Confirme por conta própria no site oficial da Polícia Civil do seu estado (em SC, pc.sc.gov.br), nunca pelo número que o suposto policial passou.
- Avise a família, sobretudo idosos, que esse tipo de ligação é golpe.
Já fiz a videochamada: e agora?
- Registre boletim de ocorrência e guarde número, horário e prints.
- Avise seus bancos e peça reforço de segurança nas contas e no reconhecimento facial.
- Consulte o Registrato do Banco Central para ver se abriram contas ou empréstimos em seu nome.
- Cadastre-se no aviso de uso do CPF de birôs de crédito e acompanhe seu e-mail e redes sociais.
- Alerte parentes de que sua voz pode ser usada em pedidos falsos de dinheiro.
Leia também: golpe da falsa central, golpe do falso advogado, voz clonada por IA, identidade sintética e nossas dicas de proteção.
Fonte
- Rádio Fundação Marconi — Polícia Civil (SC) alerta para golpe de ligações falsas em nome de policiais
- Jornal A Plateia — Polícia alerta para golpe com falsos servidores de delegacias
- Bonde — Alerta: falso órgão público que solicita videochamada
- Polícia Civil de Santa Catarina