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Golpe da maquininha: visor quebrado, troca de cartão e como agir
Visor quebrado, cobrança de R$ 8,5 mil por caipirinha e cartão trocado em shows: como funciona o golpe da maquininha, sinais de alerta e o que fazer.
Uma caipirinha combinada por R$ 40 virou uma cobrança de R$ 8,5 mil no cartão de um turista estrangeiro em Copacabana, em 27 de julho de 2026. Segundo a Polícia Civil, citada pelo Correio, outras três tentativas, recusadas, somavam mais de R$ 34 mil. O suspeito foi localizado pela Delegacia Especial de Atendimento ao Turista e autuado em flagrante por estelionato. O caso é um exemplo recente do golpe da maquininha, que aparece em praias, shows, festas e até em corridas e entregas.
Como funciona o golpe da maquininha?
Não existe um único roteiro. As variações mais comuns descritas pela Serasa e pelo Idec são:
- Visor quebrado ou apagado: a tela mostra só parte do valor. Em casos relatados pelo Idec, um jantar de R$ 68,52 foi cobrado como R$ 4.968,52 e uma corrida de R$ 10,45 como R$ 2.010,45.
- Valor digitado a mais: o vendedor digita um número muito maior e conta com a pressa ou a distração da vítima.
- Maquininha “com defeito”: o golpista diz que o aparelho falhou, pede a senha de novo ou pede que o número do cartão e o código sejam digitados em um celular ou outra máquina.
- Troca de cartão: durante as “tentativas”, o cartão da vítima é trocado por outro parecido. Ela só percebe dias depois.
- Maquininha adulterada: o aparelho copia os dados do cartão para clonagem.
Onde o golpe tem acontecido em 2026?
| Caso | O que aconteceu | Fonte |
|---|---|---|
| Show em São José do Rio Preto (SP), abril | Ambulante alegou falha na maquininha, cobrou em outro aparelho e devolveu um cartão diferente. Prejuízo de cerca de R$ 12 mil, descoberto cinco dias depois. | O Liberal |
| Festas e shows em Goiânia, maio | Quatro suspeitos detidos com mais de 200 cartões e maquininhas adulteradas; prejuízo estimado acima de R$ 100 mil. | O Hoje |
| Praia de Copacabana (RJ), julho | Caipirinha de R$ 40 cobrada como R$ 8,5 mil de turista; suspeito autuado por estelionato. | Correio |
Os suspeitos citados têm direito à presunção de inocência até decisão final da Justiça. Um padrão se repete: ambientes cheios, noite, consumo de álcool e pressa. Em Goiânia, segundo a reportagem, o grupo abordava principalmente quem havia bebido.
Quais são os sinais de alerta?
- Visor trincado, apagado ou que não mostra o valor inteiro.
- Pedido para digitar a senha várias vezes ou em outro aparelho.
- Senha aparecendo em números, e não em asteriscos.
- Vendedor que pega o cartão e se afasta ou esconde a máquina.
- Pressão para pagar rápido ou pagamento cobrado fora do aplicativo, no caso de entregas e corridas.
Como se proteger do golpe da maquininha?
- Confira o valor antes da senha ou da aproximação. É a principal orientação da Polícia Civil do Rio. Se o visor estiver ruim, não pague.
- Não entregue o cartão. Você mesmo insere ou aproxima, e o cartão não sai da sua vista.
- Em shows e praias, leve um cartão com limite baixo ou use carteira digital no celular, que não pode ser trocada.
- Ative notificações de compra no app do banco: você vê na hora um valor errado.
- Em apps de entrega e transporte, pague pelo aplicativo. Cobrança extra “por fora” é sinal de golpe.
- Depois de pagar, confira se o cartão devolvido é o seu (nome e últimos dígitos).
Caí no golpe da maquininha. O que fazer?
- Bloqueie o cartão no app ou pela central do banco e conteste as compras que não reconhece.
- Registre boletim de ocorrência, que em muitos estados pode ser feito online. Turistas no Rio podem procurar a Deat.
- Se o pagamento foi feito em app de entrega ou transporte, avise a plataforma. Para o Idec, a empresa deve ressarcir quando o golpe é aplicado por prestador cadastrado com a marca dela.
- Procure o Procon se o banco ou a plataforma negar a contestação sem justificativa.
Segundo o Idec, a conduta se enquadra como estelionato (art. 171 do Código Penal). No débito o dinheiro sai na hora, o que torna a recuperação mais difícil; no crédito, a contestação costuma ser mais simples. Veja também cartão clonado e skimming, golpe do falso entregador, nosso guia sobre golpes contra turistas e mais dicas.
Cartão de crédito ou débito: qual protege mais?
Em compras com ambulantes, em festas e na praia, o crédito costuma ser a opção mais segura, porque a contestação é mais simples e o dinheiro não sai da conta na hora. Melhor ainda é pagar com carteira digital no celular, que não pode ser trocada por um cartão parecido. Se possível, ajuste no app do banco um limite menor para compras presenciais nos dias de evento.
Fonte
- Correio — ambulante preso após cobrar R$ 8,5 mil por caipirinha (jul/2026)
- O Liberal — fã perde R$ 12 mil em golpe durante show (abr/2026)
- O Hoje — grupo detido por golpe da maquininha em Goiânia (mai/2026)
- Idec — golpe da maquininha com visor fraudado
- Serasa — golpe da maquininha: como funciona