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Golpes contra turistas: os mais comuns e como se proteger na viagem
Mensagens falsas de Booking com dados reais, golpe do chá, da carteira e da maquininha: o que é fake, o que é verdade e como se proteger ao viajar.
Viajar mistura tudo o que um golpista procura: pessoas fora da rotina, com pressa, cartão na mão, idioma diferente e reservas que chegam por mensagem. Em 2026, os alertas oficiais sobre golpes contra turistas vieram de lugares tão distantes quanto Suíça, Hong Kong, Estados Unidos e Rio de Janeiro. Abaixo, separamos o que é fake e o que é verdade nas crenças mais comuns e o que fazer em cada caso.
“Se a mensagem do hotel tem meus dados reais, ela é legítima.” Fake ou verdade?
Fake. Em 2 de junho de 2026, o Centro Nacional de Cibersegurança da Suíça (NCSC) alertou para uma campanha de phishing por WhatsApp que citava reservas reais, com datas, nome do hotel e nome do hóspede corretos. O órgão ligou os dados a um vazamento da Booking.com em abril de 2026. Havia duas versões: uma oferecia um falso reembolso por “erro na reserva”; outra usava contas de hotéis invadidas para avisar que a reserva seria cancelada se o cartão não fosse “verificado” na hora.
Em 15 de junho, o HKCERT, de Hong Kong, emitiu alerta parecido: e-mails e mensagens dizendo que a autorização de pagamento falhou, com links para páginas falsas que pedem senha, cartão e código de uso único. O HKCERT também viu páginas falsas imitando a Booking.com e a Klook. Segundo o órgão, os dados expostos podem incluir nome, e-mail, telefone e mensagens trocadas com a hospedagem.
Como se proteger: nunca clique em link de mensagem sobre reembolso ou verificação urgente. Entre no app ou site oficial digitando o endereço, ou ligue para o hotel num número que você mesmo encontrou. Reembolso legítimo não pede senha nem leitura de QR code, lembra o NCSC.
“Golpe de turista é só batedor de carteira.” Fake ou verdade?
Fake. O Departamento de Estado dos EUA lista, em sua página sobre golpes financeiros no exterior, roteiros que dependem de conversa, não de habilidade manual:
| Golpe | Como funciona | Defesa |
|---|---|---|
| Casa de chá, bar ou restaurante | Um simpático “estudante de inglês” leva você para beber ou comer; a conta vem enorme, às vezes com ameaças, e a bebida pode estar adulterada. | Recuse convites de estranhos para locais escolhidos por eles e não perca o copo de vista. |
| Carteira achada | Alguém “encontra” dinheiro perto de você; depois surgem acusações e pedido de pagamento, ou levam seu dinheiro na confusão. | Não toque em carteiras de desconhecidos. |
| Galeria ou tapetes | Falso estudante de arte leva você a um ateliê e pressiona por uma compra. | Saia sem medo de parecer rude. |
| Bolsa no aeroporto | Um estranho pede para você vigiar a bolsa; um falso policial aparece e exige dinheiro. | Nunca cuide nem carregue volumes de terceiros. |
| Jogo de copinhos | Você ganha no começo, aposta mais e perde tudo. | Não aposte na rua. |
“No Brasil, turista estrangeiro não cai em golpe da maquininha.” Fake ou verdade?
Fake. Em 27 de julho de 2026, um turista estrangeiro foi cobrado em R$ 8,5 mil por uma caipirinha de R$ 40 na praia de Copacabana, segundo a Polícia Civil citada pelo Correio. A reportagem cita outro caso na mesma praia pouco mais de uma semana antes. A orientação da polícia é conferir o valor no visor antes de digitar a senha ou aproximar o cartão. Detalhes em nosso guia do golpe da maquininha.
“Um parente pedindo dinheiro urgente no exterior é sempre emergência.” Fake ou verdade?
Nem sempre é verdade. O Departamento de Estado descreve o golpe do falso parente em apuros, que pede dinheiro e segredo. A recomendação é confirmar a história por outro meio de contato. É o mesmo princípio do falso parente no WhatsApp. Em emergência real, embaixadas e consulados podem orientar.
“Caixa eletrônico em área turística exige atenção extra.” Fake ou verdade?
Verdade. O Serviço Secreto dos EUA aponta áreas turísticas como alvo frequente de chupa-cabras em caixas e bombas de gasolina. Prefira caixas dentro de agências, pague por aproximação e cubra a senha. Veja como identificar skimming.
Checklist: como se proteger antes e durante a viagem
- Ative alertas de compra e leve um cartão com limite baixo para o dia a dia.
- Confirme reservas só pelo app ou site oficial; desconfie de pedido de pagamento fora da plataforma.
- Use autenticação em dois fatores no e-mail e nos apps de viagem.
- Guarde fora do celular os números do banco e da operadora para bloqueios.
- Não aceite convites de estranhos para bares, chás ou lojas escolhidas por eles.
- Nunca carregue objetos de terceiros, nem por gentileza.
Caí num golpe na viagem. O que fazer?
- Bloqueie cartões e conteste compras pelo canal oficial do banco.
- Troque as senhas da conta usada na reserva e de outras com a mesma senha.
- Registre ocorrência na polícia local; no Rio, procure a Delegacia Especial de Atendimento ao Turista.
- Guarde prints, links e comprovantes.
- Se precisar de ajuda no exterior, procure o consulado do seu país.
Mais alertas no radar e em dicas. Teste seus conhecimentos no quiz.
Fonte
- NCSC Switzerland — Week 22/2026: phishing impersonating booking platforms and hotels
- HKCERT — Booking.com phishing exploiting suspected leaked booking data (Jun 2026)
- U.S. Department of State — International financial scams
- Correio — ambulante preso após cobrar R$ 8,5 mil de turista em Copacabana