Skip
CYBER TARGET
EN ▾

← Artigos e guias sobre fraudes, cibersegurança, LGPD e lavagem

Sequestro relâmpago e Pix: como limitar o prejuízo e o que fazer

Limites noturnos, celular novo com teto, Celular Seguro e o que fazer após um sequestro relâmpago com Pix. Medidas simples que reduzem o prejuízo da vítima.

Antes do Pix, o sequestro relâmpago costumava terminar num caixa eletrônico. Hoje, muitas vezes termina dentro do carro, com a vítima obrigada a desbloquear o celular e transferir dinheiro em minutos. A boa notícia é que existem travas, várias delas criadas pelo próprio Banco Central, que reduzem muito o valor que pode sair da sua conta numa situação dessas. Este guia reúne o que está em vigor e o que fazer antes e depois.

O Pix aumentou o sequestro relâmpago?

Os dados públicos mostram que o Pix passou a fazer parte desse crime logo após o lançamento. Levantamento de inteligência do governo paulista obtido pela Folha e republicado pela Banda B contou 202 sequestros-relâmpago e roubos com retenção da vítima em que houve uso do Pix entre dezembro de 2020 e julho de 2021 no estado de São Paulo. Foram 51 casos de dezembro a março e 151 de abril a julho.

No Ceará, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (dados da Supesp citados pelo O Povo) registrou 1.380 casos de extorsão em 2023, ante 779 em 2021. O chefe da divisão antissequestro afirmou ao jornal que transações Pix aparecem na maior parte dos casos de extorsão com restrição da liberdade. Não há, porém, uma estatística nacional atualizada que separe o sequestro relâmpago com Pix dos demais crimes, por isso vale olhar os números estaduais com cautela.

Quais limites do Pix protegem você à noite?

Desde 4 de outubro de 2021, o Banco Central impõe um teto de R$ 1.000 para Pix e outros pagamentos entre 20h e 6h, segundo a Forbes. Regras revisadas em dezembro de 2022 e válidas desde janeiro de 2023 trouxeram três pontos importantes, de acordo com o Mais Retorno:

  • o período noturno padrão é das 20h às 6h, e o banco pode oferecer a opção das 22h às 6h;
  • um pedido de aumento de limite só passa a valer entre 24 e 48 horas depois;
  • um pedido de redução tem de ser atendido imediatamente.

Esse atraso no aumento é justamente o que protege a vítima: mesmo sob ameaça, não dá para liberar um valor alto na hora.

E se o criminoso usar outro celular?

Desde 1º de novembro de 2024, transferências feitas a partir de um celular ou computador que nunca iniciou um Pix com aquela conta ficam limitadas a R$ 200 por transação e R$ 1.000 por dia, até que o aparelho seja cadastrado no banco, conforme o Olhar Digital. A medida dificulta o uso de senhas roubadas em outro dispositivo.

TravaComo funcionaDesde
Limite noturnoR$ 1.000 entre 20h e 6h (ou 22h–6h, se o banco oferecer)Out/2021
Aumento com atrasoVale só de 24 a 48 horas após o pedidoJan/2023
Redução imediataO banco deve aplicar na horaJan/2023
Aparelho novoR$ 200 por Pix e R$ 1.000 por dia até o cadastroNov/2024

Como se proteger antes que aconteça?

  • Reduza o limite diurno e o noturno ao valor que você realmente usa no dia a dia. Quem precisa de um Pix alto pode pedir aumento pontual com antecedência.
  • Guarde a reserva em outra conta ou aplicação que não fique no celular que você leva para a rua.
  • Se possível, deixe as transferências de valor alto num aparelho que fica em casa ou no escritório, como sugerem policiais ouvidos pelo O Povo.
  • Ative alertas de movimentação e, se o banco permitir, envie-os também para alguém de confiança.
  • Use chave aleatória ou e-mail no Pix, para não expor CPF e telefone.
  • Cadastre-se no Celular Seguro e indique pessoas de confiança que possam pedir bloqueios em seu nome.
  • Configure senha de tela forte e bloqueio dos apps bancários, como explicado no nosso guia de configurações contra roubo de celular.

O que fazer durante e logo depois?

Durante a abordagem, a prioridade é a sua vida: não reaja, evite movimentos bruscos e não tente negociar. Nenhum valor justifica o risco.

  1. Ligue 190 assim que estiver em segurança.
  2. Avise o banco pelo canal oficial (telefone do verso do cartão ou de outro aparelho) e peça bloqueio das contas e a contestação das transferências. Pergunte sobre o Mecanismo Especial de Devolução, explicado em MED 2.0.
  3. Peça bloqueio pelo Celular Seguro e na operadora, se o aparelho foi levado.
  4. Registre o boletim de ocorrência informando horários, valores e chaves Pix de destino. Esses dados ajudam a rastrear contas laranja.
  5. Troque senhas de e-mail e de apps e revise dispositivos conectados.

Os números mostram por que a devolução não é garantida: veja golpe do Pix em números. Por isso, a melhor proteção é decidir antes quanto pode sair da sua conta. Mais dicas em /pt/dicas e casos recentes no radar.

Fonte

+

EN · PT · ES · FR · ZH · AR