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Segurança do Pix: MED 2.0, botão de contestação e novas regras
Botão de contestação, MED 2.0 que rastreia o dinheiro, limites para celular novo e BC Protege+: as regras do Banco Central para o Pix e como usá-las.
Desde 2021 o Pix tem um mecanismo para devolver dinheiro de golpes, o MED. O problema é que ele funcionava mal: quando a vítima reclamava, o criminoso já tinha espalhado o dinheiro por várias contas. Entre 2025 e 2026, o Banco Central reformulou as regras. Veja o que mudou, o que vale hoje e como usar as ferramentas a seu favor.
O que é o MED
O Mecanismo Especial de Devolução foi criado em 2021 para casos de fraude, golpe ou coação, além de falhas operacionais dos bancos. Ele não serve para arrependimento, desacordo comercial ou erro de digitação da chave Pix (Mercado & Consumo). Até 2025, a devolução só podia sair da conta que recebeu o Pix original, que costumava estar vazia.
A linha do tempo das mudanças
| Data | Mudança |
|---|---|
| 28/08/2025 | Publicada a Resolução BCB nº 493, com as novas regras do MED |
| 01/10/2025 | Botão de contestação (autoatendimento do MED) disponível nos aplicativos |
| 23/11/2025 | Rastreamento e devolução a partir de outras contas, de forma opcional |
| Dez/2025 | Lançamento do BC Protege+, contra abertura de contas em nome de terceiros |
| 22/01/2026 | Resolução BCB nº 546 cria período de transição |
| 02/02/2026 | MED 2.0 obrigatório para todas as instituições do Pix |
| 10/05/2026 | Fim do período de transição |
Fontes: Agência Brasil, Mercado & Consumo, Finsiders.
O botão de contestação
Desde 1º de outubro de 2025, a vítima pode acionar o MED diretamente no aplicativo do banco, na área do Pix, sem precisar ligar para a central ou ir a uma agência. A contestação é repassada imediatamente ao banco do golpista, que deve bloquear os recursos disponíveis na conta, inclusive valores parciais. As duas instituições têm até 7 dias para analisar o caso e, se confirmada a fraude, o dinheiro é devolvido em até 11 dias após a contestação (Mercado & Consumo).
MED 2.0: seguindo o caminho do dinheiro
A principal mudança é o rastreamento. Com o MED 2.0, o sistema passa a seguir os recursos por contas e instituições intermediárias, e não só pela conta que recebeu o primeiro Pix. As informações de rastreio são compartilhadas entre as instituições envolvidas (Agência Brasil). Segundo o Asaas, as regras também ampliam os critérios de bloqueio cautelar de contas e chaves suspeitas e reforçam a troca de informações entre bancos, instituições de pagamento e órgãos de segurança.
A obrigatoriedade começou em 2 de fevereiro de 2026, mas a Resolução BCB nº 546 dispensou, até 10 de maio de 2026, a abertura de processo por descumprimento relacionado à funcionalidade de recuperação de recursos, dando tempo para ajustes nos sistemas (Finsiders).
Outras camadas de proteção
Limite para celulares novos
Aparelhos que nunca fizeram Pix só podem passar de R$ 200 por transação e R$ 1.000 por dia depois de cadastrados pelo banco. A regra mira criminosos que roubam senhas e tentam operar a conta de outro dispositivo. Os bancos também precisam consultar, pelo menos a cada seis meses, se seus clientes têm marcações de fraude na base do Banco Central (Inteligência Financeira).
Limite noturno
Desde outubro de 2021, Pix, TED e DOC feitos por pessoas físicas e MEIs entre 20h e 6h estão limitados a R$ 1.000, e o aumento desse teto leva de 24 a 48 horas para ser efetivado (Jornal Contábil).
BC Protege+
Lançado no início de dezembro de 2025, o serviço permite que pessoas e empresas bloqueiem a abertura de contas em seu nome ou sua inclusão como titular ou representante de contas de terceiros. No primeiro mês, impediu a abertura de 111 mil contas suspeitas, segundo a Finsiders. É uma arma direta contra as contas laranja que recebem o dinheiro dos golpes.
O que o MED não resolve
Mesmo com as novas regras, o mecanismo tem limites. Ele depende de haver saldo nas contas rastreadas no momento do bloqueio: se o dinheiro já foi sacado em espécie, convertido em cripto ou enviado para fora do sistema, a recuperação fica difícil. Também não cobre situações envolvendo terceiros de boa-fé, como um comerciante que vendeu um produto real ao golpista (Mercado & Consumo). Por isso, o Banco Central combina o MED com medidas preventivas, que tentam impedir que a conta laranja seja aberta ou que a transferência saia de um aparelho desconhecido.
Para as instituições, a mudança também é operacional. Elas passaram a ter de usar soluções de gestão de risco de fraude que aproveitem as informações de segurança armazenadas no Banco Central e identifiquem transações atípicas ou incompatíveis com o perfil do cliente, além de dar tratamento diferenciado a clientes com marcação de fraude, como encerrar o relacionamento ou bloquear cautelarmente valores recebidos (Inteligência Financeira).
O que vem por aí
Em setembro de 2026, o Banco Central anunciou novos ajustes ao regulamento do Pix, entre eles a exclusão imediata, sem o prazo atual de 30 dias, de instituições punidas com o desligamento do sistema e a suspensão imediata de instituições em liquidação extrajudicial (Portal de Prefeitura).
Como usar o MED se cair num golpe
- Aja rápido. Quanto antes a contestação, maior a chance de haver saldo para bloquear.
- Use o botão de contestação no aplicativo do seu banco, na área do Pix.
- Registre boletim de ocorrência e guarde prints e comprovantes.
- Acompanhe o prazo: a análise leva até 7 dias e a devolução, até 11 dias.
Como se proteger antes
- Ative o BC Protege+ no site do Banco Central para impedir contas abertas em seu nome.
- Mantenha limites de Pix compatíveis com seu uso real.
- Desconfie de pedidos urgentes de transferência, mesmo de conhecidos.
- Confira o nome do recebedor antes de confirmar o Pix.
Fonte
- Diario de Pernambuco / Agência Brasil – Pix: novas regras vão facilitar devolução em casos de golpe (Res. BCB 493)
- Mercado & Consumo – Botão de contestação do Pix está disponível aos usuários
- Asaas – Novas regras de segurança do Pix começam a valer em fevereiro
- Finsiders Brasil – Novo MED do Pix passa a ser obrigatório, mas instituições terão um respiro
- Inteligência Financeira – Pix: nova regra para dispositivos novos
- Jornal Contábil – Novo limite de transferência via Pix (limite noturno)
- Portal de Prefeitura – Pix terá novas regras para combater fraudes (set/2026)