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Lavagem de dinheiro: GAFI, recorde do COAF e novas regras de cripto

O GAFI tirou quatro países da lista cinza em outubro de 2026, o COAF bateu recorde de relatórios e o BC apertou regras para cripto. Veja o que muda no Brasil.

Três movimentos recentes redesenham o combate à lavagem de dinheiro no Brasil e no mundo. O Grupo de Ação Financeira (GAFI/FATF) atualizou suas listas de jurisdições de risco em outubro de 2026. O COAF, a unidade de inteligência financeira brasileira, bateu recorde de produção em 2025. E o Banco Central fechou o cerco às operações com criptoativos, com novas regras de comunicação e de autorização.

As listas do GAFI em outubro de 2026

Na plenária de 28 a 30 de outubro de 2026, a primeira sob presidência britânica, o GAFI retirou quatro jurisdições da lista cinza: Costa do Marfim, Bulgária, Mônaco e República Democrática do Congo. Nenhum país entrou, segundo a AML UAE. Com isso, a lista de jurisdições sob monitoramento reforçado ficou com 18 nomes:

Angola, Bolívia, Bósnia e Herzegovina, Camarões, Haiti, Iraque, Quênia, Kuwait, Laos, Líbano, Nepal, Papua-Nova Guiné, Sudão do Sul, Síria, Venezuela, Vietnã, Ilhas Virgens Britânicas e Iêmen.

A lista negra ("call for action") não mudou. Irã e Coreia do Norte seguem sujeitos a contramedidas, e Mianmar, a diligência reforçada.

América Latina e Brasil

Na América Latina continental, Bolívia e Venezuela estão na lista cinza, e o Haiti, no Caribe, também. Brasil, EUA e México não estão em nenhuma lista, segundo a IBA.

A última avaliação mútua do Brasil, publicada em dezembro de 2023, deu nota "Substancial" a dois resultados imediatos e "Moderado" aos outros nove. O relatório do GAFI apontou lacunas:

  • advogados fora do regime de prevenção à lavagem;
  • base de beneficiário final quase vazia;
  • poucos processos por lavagem e pouca recuperação de ativos fora dos casos de corrupção.

As avaliações de EUA e México foram discutidas na plenária de outubro e devem ser publicadas em dezembro de 2026. O novo presidente do GAFI, Giles Thomson, do Reino Unido, tem mandato até junho de 2028 e elegeu a fraude, incluindo os "scam compounds", como prioridade, informa o GAFI.

COAF: recorde em 2025

Indicador20242025
Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs)18.76220.548 (+9,52%)
Comunicações recebidasn/d~7,6 milhões
Processos sancionadores julgados3237
Multas aplicadasn/dR$ 96,9 milhões

Os 20.548 RIFs são o maior volume da história do órgão e mais de seis vezes o de 2014, segundo o COAF. A base acumulada passa de 65 milhões de comunicações. Há 18.672 pessoas obrigadas cadastradas, mas o COAF estima que outras 649 mil deveriam se cadastrar. As multas se concentraram em joias e metais preciosos, bens de luxo e factoring.

Nos EUA, o movimento é semelhante. Os relatórios de atividade suspeita (SARs) passaram de 4,1 milhões em 2025, recorde, com alta de 30% nos SARs ligados a crimes cibernéticos, segundo a Forvis Mazars.

As novas regras do Banco Central para cripto

Autorização das prestadoras

As Resoluções BCB 519, 520 e 521, de novembro de 2025, regulamentaram as prestadoras de serviços de ativos virtuais (SPSAVs) e entraram em vigor em 2 de fevereiro de 2026. Elas exigem controles de prevenção à lavagem, trazem as operações com cripto para as regras de câmbio e limitam a US$ 100 mil a transferência internacional com contraparte não autorizada. Quem já operava ganhou 270 dias para pedir autorização, segundo o Lefosse.

Comunicação automática ao COAF

A Resolução BCB 588/2026, vigente desde 1º de outubro de 2026, ampliou as comunicações automáticas ao COAF, que independem de suspeita, explica a Schiefler Advocacia. Já valiam para depósitos e saques em espécie a partir de R$ 50 mil. Agora incluem:

  • câmbio com moeda estrangeira física a partir de US$ 10 mil;
  • transferência de ativo virtual de ou para carteira autocustodiada a partir de US$ 10 mil.

Fracionar operações para ficar abaixo dos limites é tratado como indício de suspeita. A Resolução BCB 589/2026 proíbe, a partir de 6 de novembro de 2026, que instituições autorizadas operem ativos virtuais com prestadores não autorizados.

O caso que acelerou a agenda

A Operação Carbono Oculto, de agosto de 2025, expôs como o crime organizado usa o sistema financeiro formal. Segundo a BBC Brasil, a rede ligada ao PCC no setor de combustíveis movimentou pelo menos R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, usou 40 fundos com cerca de R$ 30 bilhões em patrimônio e se apoiou em contas-bolsão de fintechs.

Brasil no índice de Basileia

No Basel AML Index 2025, que mede risco de lavagem em 177 países, o Brasil ficou em 80º lugar, com nota 5,40 (quanto maior, mais risco). O México ficou em 71º (5,52) e os EUA em 113º (4,83). A média global foi de 5,28, segundo o Basel Institute.

O que fazer

  • Exchanges e intermediários de cripto: confirmem o pedido de autorização no prazo do BC e o fim das operações com prestadores não autorizados a partir de 6/11/2026.
  • Instituições financeiras: ajustem sistemas para as novas comunicações automáticas de câmbio físico e carteiras autocustodiadas.
  • Setores obrigados, como joias, bens de luxo e factoring, devem se cadastrar no COAF. Foram os mais multados em 2025.
  • Operações com países da lista cinza pedem diligência reforçada.

Fonte

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