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China, cripto e USDT: como bancos clandestinos lavam bilhões

Cripto é proibida na China, mas o USDT virou a ponte dos bancos clandestinos. Veja os casos recentes, as penas e o alerta do banco central sobre stablecoins.

Negociar criptomoedas é ilegal na China continental desde 2021. Mesmo assim, os tribunais chineses seguem julgando casos em que a stablecoin USDT está no centro de esquemas de câmbio ilegal e lavagem de dinheiro. O padrão se repete: o cliente paga em yuan na China, a rede converte em USDT e o valor reaparece no exterior em outra moeda, driblando o controle de capitais.

O arcabouço legal

  • Aviso de 2021: o Banco do Povo da China (PBOC) e outros nove órgãos classificaram as atividades com moeda virtual como financeiras ilegais.
  • Lei Antilavagem revisada: aprovada em novembro de 2024, em vigor desde 1º de janeiro de 2025, com abordagem baseada em risco.
  • Câmbio: a SAFE, autoridade cambial, monitora fluxos suspeitos; operar fora dos canais oficiais pode configurar crime.

Em 28 de novembro de 2025, o PBOC reuniu outros 12 órgãos, entre eles polícia, tribunais, CAC e SAFE. O comunicado oficial reafirmou a proibição e disse que as stablecoins são moeda virtual, não cumprem exigências de identificação de clientes e antilavagem e trazem risco de lavagem, fraude e remessas ilegais.

Casos recentes

CasoValorResultado
Chengdu (anunciado em maio/2024)ao menos 13,8 bi de yuans (~US$ 1,9 bi)193 presos
Pequim, tribunal de Haidian (mar/2025)1,182 bi de yuans (~US$ 166 mi)5 condenados a 2–4 anos
Xangai, Jing'an (jul/2026)mais de 200 mi de yuans (~US$ 29 mi)5 condenados a 2,5–6 anos e multas

Em Chengdu, o grupo usava USDT para câmbio desde 2021, atendendo contrabandistas de remédios e cosméticos e compradores de bens no exterior. Em Pequim, os promotores descreveram o USDT como uma "ponte" para o câmbio disfarçado. Em Xangai, a rede atendia clientes ricos que queriam comprar imóveis, emigrar ou estudar fora; a SAFE detectou as operações suspeitas em julho de 2024.

Por que o USDT

Os promotores de Xangai disseram que o anonimato das transações on-chain dificultou o rastreamento. A stablecoin mantém valor estável em dólar, é liquidada em minutos e pode ser negociada diretamente entre pessoas, sem corretora licenciada. Para quem quer driblar o controle de capitais, é uma ferramenta prática. Em Xangai, uma única gerente de clientes movimentou mais de 170 milhões de yuans antes de abrir seu próprio negócio de câmbio.

A dimensão global

A Chainalysis estima que redes de lavagem de língua chinesa movimentaram cerca de US$ 16,1 bilhões em cripto ilícita em 2025, perto de 20% dos US$ 82 bilhões lavados on-chain que a empresa rastreou. Mercados de "garantia" como Huione e Xinbi aparecem como peças centrais. Especialistas dizem que essas redes trocaram sistemas informais tradicionais, como o fei qian, pela cripto. É a mesma infraestrutura usada pelos centros de golpe do Sudeste Asiático, o que explica por que os EUA isolaram o Huione Group do sistema financeiro americano.

Os clientes desses esquemas não eram só criminosos: incluíam famílias pagando imóveis e estudos no exterior. Essa mistura de fuga de capitais comum com dinheiro de fraude e jogo torna os bancos clandestinos difíceis de erradicar.

O que o compliance deve observar

  • Clientes que enviam ou recebem recursos da China via cripto P2P ou mesas OTC.
  • Contas pessoais recebendo valores de muitas pessoas sem relação entre si.
  • Uso intenso de USDT sem justificativa econômica.
  • Ligação com mercados de garantia no Telegram ou entidades sancionadas.
  • Pagamentos de imóveis, estudos ou imigração no exterior sem câmbio oficial visível.

Para pessoas físicas

Vender USDT a desconhecidos ou emprestar a conta bancária pode tornar você parte de uma cadeia de lavagem. Na China, isso dá prisão; em outros países, gera bloqueio de contas e responsabilidade criminal. Nunca alugue contas nem faça conversões de cripto para desconhecidos.

Fonte

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