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Golpe da cobrança no SUS: falso hospital pede Pix por cirurgia
Falso mutirão do Outubro Rosa no DF cobrou de R$ 1 mil a R$ 3 mil por cirurgia. Veja como o golpe da cobrança no SUS funciona e o que fazer.
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) publicou no domingo, 1º de novembro de 2026, um alerta aos usuários da rede pública depois que veio a público um suposto mutirão de cirurgias mamárias ligado à campanha Outubro Rosa. Segundo reportagem, um projeto chamado "Renova Mama, Um Recomeço" prometia cirurgias de redução e implante de mama sem custo, mas cobrava das pacientes entre R$ 1.000 e R$ 3.000 por supostos materiais cirúrgicos. Ao menos 30 mulheres pagaram, de acordo com a mesma reportagem. O caso é o exemplo mais recente de um golpe que se repete em vários estados: a cobrança falsa por atendimento do SUS.
O que aconteceu no caso do falso mutirão do Outubro Rosa?
De acordo com o relato publicado, o projeto usava sem autorização o nome do Hospital Regional da Asa Norte (Hran) e citava cirurgiões plásticos da própria Secretaria de Saúde como se fossem eles a operar. As pacientes eram orientadas por áudios em um grupo e recebiam pedidos de exame assinados por um clínico geral. Os sinais de problema apareceram quando algumas chegaram para consultas supostamente marcadas e não havia registro em seu nome; outras tiveram o atendimento cancelado poucas horas antes. Os pagamentos eram feitos para contas da responsável pelo projeto ou de pessoas ligadas a ela. A responsável nega ser golpista e diz que também foi enganada; os fatos ainda serão apurados, e vale a presunção de inocência.
Em nota, a SES-DF lembrou que todos os serviços do SUS são gratuitos — consultas, exames, cirurgias, medicamentos, materiais e insumos — e orientou a população a não fazer pagamentos, transferências ou depósitos a quem prometa atendimento ou acesso mais rápido. A secretaria informou que encaminharia a denúncia à Ouvidoria-Geral do GDF.
Como funciona o golpe da cobrança em nome de hospital público?
O caso do DF tem uma particularidade (a promessa de mutirão), mas a mecânica é a mesma de alertas recentes feitos por hospitais em outros estados. Em geral, o criminoso:
- Descobre que alguém está internado ou aguardando procedimento — às vezes porque a própria família divulgou em redes sociais ou grupos.
- Liga ou manda mensagem pelo WhatsApp se passando por funcionário, médico ou setor administrativo do hospital.
- Inventa uma taxa urgente: material cirúrgico, exame, remédio que estaria em falta ou vaga para adiantar a cirurgia.
- Pede Pix, depósito ou transferência para uma conta de pessoa física, quase sempre com pressa e apelo emocional.
Em julho de 2026, o Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi (HGG), em Goiânia, registrou três tentativas desse tipo contra familiares de pacientes, comunicou a Polícia Civil e reforçou que não entra em contato por telefone ou aplicativo para pedir pagamento. Em janeiro, a Santa Casa de Goiânia alertou que golpistas usavam seu nome para cobrar a liberação de medicamentos, exames e procedimentos por telefone e WhatsApp. Em Curitiba, a prefeitura já havia registrado em 2025 pedidos de Pix em nome de um centro médico comunitário, e no DF o IgesDF relatou aumento de casos semelhantes em 2024.
Quem é mais afetado?
O alvo são pessoas em situação de fragilidade: pacientes na fila de cirurgia, mulheres em tratamento ou recuperação de câncer de mama, idosos e familiares de internados. A pressa e o medo de perder a vaga fazem a vítima pagar sem checar. No caso do falso mutirão, o golpe se aproveitou de uma campanha de saúde legítima — o Outubro Rosa —, o que dá credibilidade à oferta.
| Sinal | Por que é suspeito |
|---|---|
| Pedido de Pix ou depósito por atendimento do SUS | O SUS não cobra consultas, exames, cirurgias, materiais nem remédios |
| Contato por WhatsApp ou ligação pedindo dinheiro | Hospitais como HGG e Santa Casa de Goiânia dizem não cobrar por esses canais |
| Conta em nome de pessoa física | Instituição de saúde não recebe em conta pessoal de funcionário |
| Promessa de furar a fila ou cirurgia grátis só pagando "material" | Acesso mais rápido mediante pagamento é exatamente o que a SES-DF manda recusar |
| Consulta marcada que não aparece no sistema | Indica agendamento inventado |
Fiz o pagamento. O que fazer agora?
- Fale com seu banco imediatamente e peça a abertura do MED (Mecanismo Especial de Devolução) do Pix. Quanto mais cedo, maior a chance de bloquear o dinheiro na conta de destino. Veja como funciona o MED 2.0.
- Guarde provas: prints das conversas, áudios, números usados, comprovantes e dados da conta que recebeu.
- Registre boletim de ocorrência na Polícia Civil (muitos estados aceitam pela internet).
- Avise o hospital ou a secretaria de saúde pela ouvidoria. No DF, a SES-DF indica o telefone 162 ou o portal Participa DF.
- Avise outras pacientes do grupo, sem expor dados pessoais de ninguém.
Como se proteger do golpe do falso hospital?
- Regra de ouro: atendimento pelo SUS é gratuito. Qualquer cobrança é sinal de alerta.
- Desligue e ligue você mesmo para o número oficial do hospital (site ou balcão), nunca para o número que fez o contato.
- Em hospital filantrópico com atendimento particular, pague só presencialmente, no caixa da instituição — como orienta a Santa Casa de Goiânia.
- Evite publicar em redes sociais o nome do hospital e o leito de quem está internado.
- Desconfie de mutirões divulgados só por grupos e perfis pessoais; confira no site da secretaria de saúde.
Esse golpe é um parente próximo do falso parente no WhatsApp e do falso servidor do INSS: alguém se passa por instituição de confiança para pedir dinheiro com urgência. Para mais alertas, acompanhe o Radar, veja as dicas de proteção e teste seus reflexos no quiz.
Fonte
- 111NEXT — SES-DF alerta para golpe do falso mutirão do Outubro Rosa (01/11/2026)
- O Hoje — HGG alerta para golpe que cobra por atendimento do SUS (27/07/2026)
- O Hoje — Santa Casa de Goiânia alerta para golpes (02/01/2026)
- Prefeitura de Curitiba — SUS nunca cobra para atender a população
- Jornal de Brasília — IgesDF alerta para golpe com cobrança indevida