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Golpe do falso policial no Japão: fraude por telefone bate recorde

Japão perdeu ¥ 142,3 bi com fraudes por telefone em 2025, quase o dobro de 2024, puxadas pelo falso policial. Veja os dados e lições para Brasil e EUA.

O Japão, conhecido pelas taxas baixas de crimes de rua, vive uma escalada de fraudes por telefone. Segundo os dados definitivos da Agência Nacional de Polícia (NPA) para 2025, compilados pelo nippon.com, os chamados tokushu sagi (fraudes especiais) somaram 27.832 casos, alta de 32,3%, e prejuízo recorde de ¥ 142,31 bilhões, 98% acima de 2024. O motor dessa alta foi o golpe do falso policial, que mistura ligação, videochamada e, em muitos casos, entrega de dinheiro em mãos. O padrão lembra golpes que já conhecemos no Brasil e nos EUA.

Quanto o Japão perdeu com fraudes por telefone em 2025?

Indicador (NPA, 2025)Dado
Casos de fraude especial27.832 (+32,3%)
Prejuízo total¥ 142,31 bilhões (+98%), recorde
Perda média por dia¥ 390 milhões
Perda média por golpe consumado¥ 5,236 milhões
Vítimas com 65 anos ou mais51,3% dos casos e 59,2% do prejuízo
Golpe do falso policial11.014 casos, ¥ 100,5 bilhões
Golpes de investimento e romance por redes sociais (categoria à parte)15.168 casos, ¥ 183,43 bilhões

Os números provisórios divulgados pela NPA até novembro de 2025 já mostravam a tendência: 86.180 números de telefone internacionais usados nos crimes, mais que o dobro do ano anterior, e o primeiro contato do falso policial feito por telefone em 99% dos casos.

Como funciona o golpe do falso policial no Japão?

A Polícia da Província de Kanagawa descreve o roteiro em linhas gerais: alguém liga dizendo ser policial, às vezes com o número de uma delegacia real falsificado no identificador, e afirma que a vítima é suspeita de cumplicidade em fraude ou lavagem de dinheiro, ou que há um mandado de prisão contra ela. Depois, leva a conversa para uma videochamada em rede social, mostra uma identidade policial ou um “mandado” falsos e pede transferências para uma conta indicada, supostamente para a “investigação”. A polícia japonesa lembra três coisas que um policial de verdade nunca faz: conduzir investigação por rede social, enviar foto de distintivo ou mandado por aplicativo e pedir para abrir conta ou transferir dinheiro.

Por que jovens também caem?

Diferentemente de outros golpes, o falso policial atinge muitas pessoas jovens. Segundo os dados da NPA, a maior parte dos casos envolveu vítimas na faixa dos 30 anos (2.239) e dos 20 anos (1.718), enquanto os maiores prejuízos se concentraram entre pessoas de 70 anos (¥ 27,4 bi) e de 60 anos (¥ 25,6 bi). O medo de ser preso e a pressão por sigilo funcionam em qualquer idade; a diferença é quanto dinheiro cada faixa tem disponível.

Quem faz a ponte entre o telefone e a rua?

A ligação é digital, mas o dinheiro muitas vezes é retirado fisicamente. Dos 2.338 presos por fraude especial em 2025, cerca de 60% (1.379) eram ukeko, os encarregados de buscar dinheiro ou cartões na casa da vítima. A NPA também pede à população que denuncie anúncios de yami baito, os “bicos” oferecidos em redes sociais que recrutam jovens para essas funções. É o mesmo desenho do golpe do motoboy no Brasil: o golpista fala ao telefone e um intermediário aparece na porta para recolher o cartão.

O que Brasil e EUA podem aprender?

  • Autoridade nunca pede dinheiro por telefone. Vale para a polícia japonesa, para a Polícia Civil e para agências americanas; veja o golpe do falso agente do governo (IRS/SSA) e o golpe da falsa Europol ou Interpol.
  • Videochamada não prova nada. Distintivos e mandados exibidos na tela podem ser montagens; no Brasil, o mesmo truque é usado para capturar o rosto da vítima, como explicamos em golpe do falso policial por videochamada.
  • Sigilo é sinal de golpe. Quem pede para você não contar a ninguém quer impedir que um familiar desmonte a história.
  • Números internacionais e identificador falsificado são comuns; o número que aparece na tela não é garantia.

O que fazer se receber uma ligação assim

  1. Desligue. Não continue a conversa em aplicativo nem aceite videochamada.
  2. Ligue você mesmo para a polícia por um número oficial (190 no Brasil; no Japão, a delegacia ou o koban mais próximo).
  3. Não transfira dinheiro, não entregue cartões e não abra contas a pedido de ninguém.
  4. Se já pagou, avise o banco imediatamente e registre ocorrência. No Brasil, peça a contestação via MED quando o pagamento foi por Pix; nos EUA, registre em canais oficiais como o IC3 do FBI.

Teste seus reflexos no Quiz e acompanhe novos casos no Radar.

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