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Golpe do falso advogado: como funciona e o que revela a Véu de Themis

Operação Véu de Themis prende 4 em PE, BA e PB por golpe do falso advogado no WhatsApp. Veja como o golpe funciona, quem é alvo e como confirmar o seu advogado.

A Polícia Civil de Pernambuco deflagrou em 28 de outubro de 2026 a primeira fase da Operação Véu de Themis, contra um grupo suspeito de aplicar o golpe do falso advogado e de lavar o dinheiro obtido. Foram cumpridos quatro mandados de prisão e quatro de busca e apreensão, expedidos pela 17ª Vara Criminal da Capital, com apoio das polícias civis da Paraíba e da Bahia. Segundo a CBN Recife, houve uma prisão em Pernambuco, uma na Bahia e duas na Paraíba. Os investigados não tiveram os nomes divulgados e são considerados inocentes até julgamento.

O caso é pequeno em valores, mas didático: mostra como um golpe que se espalhou pelo país usa informação de processos judiciais para parecer legítimo. Abaixo, o que se sabe, como a fraude funciona e como se proteger.

O que a polícia descobriu na Operação Véu de Themis?

A investigação começou em maio de 2026, segundo o Diario de Pernambuco. De acordo com a polícia, os suspeitos tinham acesso prévio a dados de processos e criavam perfis falsos no WhatsApp, simulando advogados ou funcionários de escritórios. Foram apreendidos celulares, maquininhas de cartão, eletrônicos e armas.

Até agora, 17 vítimas foram identificadas. Apenas uma, uma empresária, registrou prejuízo financeiro, de R$ 15 mil, segundo a CBN Recife. Os pagamentos iam para contas de terceiros, as chamadas contas laranja, que a polícia ainda tenta mapear. Na Paraíba, os dois presos foram localizados em Oitizeiro (João Pessoa) e em Tibiri (Santa Rita), segundo o Paraíba Online.

Como funciona o golpe do falso advogado?

O roteiro descrito pela polícia pernambucana tem quatro etapas:

  1. Coleta de dados: o grupo obtém informações de pessoas com processos em andamento que esperam receber dinheiro — nome, número do processo, telefone.
  2. Contato pelo WhatsApp: um perfil com foto e nome do advogado (ou do escritório) avisa que a causa foi ganha e que há um valor disponível.
  3. Teatro de autoridade: em alguns casos, a vítima é levada a uma falsa audiência virtual, com golpistas se passando por juízes, promotores ou auditores fiscais.
  4. A taxa: para “liberar” o dinheiro, cobra-se uma taxa, custas ou imposto, por Pix, transferência ou boleto. O valor nunca chega.

A delegada Viviane Santa Cruz, da Delegacia de Repressão ao Estelionato, resumiu que o grupo “exigia que se pagasse algum tipo de taxa”. A delegada Lígia Cardoso, uma das responsáveis pela operação, descreveu o método como engenharia social: ganhar a confiança da vítima com dados verdadeiros do processo.

Quem é alvo e qual o tamanho do problema?

Qualquer pessoa com ação na Justiça pode ser alvo: aposentados com causas previdenciárias, trabalhadores com ações trabalhistas, consumidores com indenizações, empresários. O próprio Conselho Federal da OAB já tratou o tema como nacional. Em agosto de 2025, a entidade informou que sua coordenação de fiscalização havia recebido 2.619 relatos do golpe, de todos os estados e do exterior, e estimou que cerca de 90% deles ocorriam pelo WhatsApp, segundo nota da OAB.

A OAB também listou as técnicas mais usadas: clonagem de perfil de WhatsApp, videochamadas que imitam audiências, documentos falsos com timbres oficiais e falsificação do número de quem liga. Por isso pediu ao Conselho Nacional de Justiça que todos os tribunais separem e coloquem em sigilo dados pessoais das partes (endereço, telefone, e-mail, CPF), modelo já adotado pelo TJDFT com a OAB-DF.

Sinal de alertaPor que é golpe
Mensagem de número novo dizendo ser seu advogadoPerfis são criados com foto e nome copiados
Cobrança de taxa para liberar valor ganhoValores judiciais são pagos por alvará ou depósito judicial, não após Pix a terceiros
Pagamento para conta de pessoa física desconhecidaÉ o padrão das contas laranja
Urgência e “audiência” por vídeo marcada às pressasPressa impede checagem

Como confirmar se é mesmo o meu advogado?

  • Ligue para o número que você já tinha do advogado ou do escritório — nunca para o número que mandou a mensagem.
  • Use o ConfirmADV da OAB (confirmadv.oab.org.br): você informa o número de inscrição, o estado e o e-mail que o advogado lhe passou; ele tem cinco minutos para confirmar a identidade por e-mail automático, segundo a OAB.
  • Consulte o processo no site do tribunal com o número da ação. Decisão favorável e alvará aparecem lá.
  • Desconfie de qualquer taxa antecipada. Custas e honorários são tratados com o seu advogado de confiança, por canais já conhecidos.

Caí no golpe do falso advogado. O que fazer agora?

  1. Avise o seu banco imediatamente e peça a abertura do MED do Pix se pagou por Pix.
  2. Registre boletim de ocorrência (há delegacia eletrônica na maioria dos estados) com prints, número usado e comprovantes.
  3. Comunique o seu advogado verdadeiro e a seccional da OAB.
  4. Denuncie o perfil ao WhatsApp e veja como proteger sua conta contra clonagem.
  5. Confira no Registrato se não abriram contas no seu CPF.

O golpe do falso advogado é parente próximo da falsa central: muda o personagem, mas a lógica de usar dados reais para ganhar confiança é a mesma. Acompanhe novas operações no radar e teste seus reflexos no quiz.

Fonte

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