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GENIUS Act: o que muda nas stablecoins dos EUA a partir de 2027

GENIUS Act explicado: lastro 1:1, resgate em 2 dias, proibição de juros e regras antilavagem para stablecoins nos EUA a partir de 18 de janeiro de 2027.

O GENIUS Act, primeira lei federal dos EUA sobre stablecoins, entra em vigor em 18 de janeiro de 2027. Em 21 de outubro de 2026, o OCC — o regulador federal dos bancos nacionais — publicou a regra final que detalha como emissores de stablecoins de pagamento serão licenciados e supervisionados, segundo análises do Sidley e do Orrick. Este explicador reúne o que a lei exige, o que ainda falta regulamentar e por que isso importa para quem usa cripto no Brasil e no mundo.

O que é o GENIUS Act?

A lei foi sancionada em 18 de julho de 2025 como Public Law 119-27, conforme o resumo do Serviço de Pesquisa do Congresso (CRS). Ela cria um regime para a payment stablecoin: um ativo digital emitido para pagamento ou liquidação e resgatável por um valor fixo, como US$ 1. Na prática, mira tokens como os atrelados ao dólar que circulam em corretoras, carteiras e remessas internacionais.

A lei também define o que essas stablecoins não são: não são valores mobiliários, não são commodities e não têm seguro federal de depósito. Emissores não podem usar nomes que sugiram garantia do governo americano.

Quais são as principais regras para as stablecoins?

TemaO que a lei e a regra do OCC exigemFonte
LastroPelo menos US$ 1 em reservas permitidas para cada US$ 1 emitido, a todo momentoCRS, Sidley
Ativos de reservaMoeda, depósitos em bancos segurados, Treasuries de curto prazo, operações compromissadas lastreadas em Treasuries, fundos monetários de títulos públicos, reservas no banco centralCRS
Liquidez imediataAo menos 5% das reservas disponíveis à vista (a proposta previa 10%)Orrick
ResgatePelo valor de face, em até dois dias úteis; a extensão automática para sete dias foi retiradaSidley
Colchão operacionalAtivos líquidos equivalentes a 12 meses de despesasSidley
JurosProibido pagar juros ou rendimento ao detentor só por manter a stablecoinCRS, Sidley
FalênciaDetentores têm prioridade sobre os demais credores do emissorCRS
TransparênciaRelatórios periódicos das reservas, certificados por executivos e examinados por auditoria; demonstrações auditadas anuais acima de US$ 50 bilhões em circulaçãoCRS

Quem pode emitir stablecoins nos EUA?

Bancos e cooperativas de crédito (por meio de subsidiárias) e empresas não bancárias aprovadas. Há duas trilhas: a federal e a estadual. Emissores não bancários com menos de US$ 10 bilhões em circulação podem optar por um regime estadual, desde que ele seja considerado "substancialmente similar" ao federal; acima desse patamar, a supervisão passa a ser federal, segundo o CRS. Pessoas condenadas por certos crimes financeiros não podem ser diretoras ou administradoras de emissores.

Pela regra final do OCC, um pedido sem decisão em 120 dias após estar substancialmente completo é considerado aprovado. Emissores que já operam precisam protocolar um pedido de licença e um pedido de dispensa transitória até 18 de janeiro de 2027; a dispensa pode durar até 12 meses e, segundo o Orrick, o OCC espera concedê-la a emissores americanos já existentes, mas não a novos entrantes. A proibição ampla de stablecoins não licenciadas começa em 18 de julho de 2028.

Como a lei trata lavagem de dinheiro e sanções?

Este é o ponto que mais interessa ao combate ao crime financeiro. Os emissores ficam sujeitos à Lei de Sigilo Bancário (BSA), o marco antilavagem dos EUA, e precisam certificar programas de prevenção à lavagem e de sanções. Em 8 de abril de 2026, a FinCEN e o OFAC, ambos do Tesouro, propuseram em conjunto a regra que detalha esses programas, incluindo a exigência de um programa de conformidade com sanções "efetivo", conforme o aviso do OFAC. A regra final do OCC deixou a parte antilavagem para essa regulamentação separada, ainda pendente, segundo o Sidley.

Para stablecoins estrangeiras, a lei exige que corretoras e outros prestadores nos EUA só ofereçam tokens de emissores com capacidade tecnológica de cumprir ordens legais — como bloqueios determinados pela Justiça — e que estejam em jurisdições com regime considerado comparável pelo Tesouro, explica a Freshfields. O Tesouro ainda não propôs o processo para reconhecer essas jurisdições.

Stablecoins em dólar são hoje um dos principais veículos de lavagem e de golpes com cripto, inclusive em esquemas asiáticos de bancos clandestinos com USDT e em roubos como o hack da Binance. A capacidade de congelar tokens e rastrear clientes é o que reguladores esperam usar contra esse fluxo.

O que muda para quem está no Brasil?

A lei é americana, mas o alcance é global: boa parte das stablecoins usadas por brasileiros é denominada em dólar, e quem quiser oferecer esses tokens a clientes nos EUA terá de cumprir o padrão do GENIUS Act ou estar em jurisdição reconhecida. No Brasil, o Banco Central tem regulamentado os prestadores de serviços de ativos virtuais, com regras que incluem operações com stablecoins — tema que tratamos em lavagem de dinheiro e as regras do BC para cripto. Os dois regimes caminham na mesma direção: lastro verificável, identificação de clientes e prevenção à lavagem.

O que fazer / Como se proteger

  • Desconfie de "stablecoin que rende": a lei proíbe o emissor de pagar juros só pela posse. Promessas de rendimento fixo alto são sinal clássico de golpe.
  • Verifique o emissor: a partir de 2027, prefira tokens de emissores licenciados ou com dispensa nos EUA, com relatórios públicos de reservas.
  • Stablecoin não é depósito bancário: não tem seguro do FDIC nem do FGC.
  • Empresas: quem opera com stablecoins deve revisar KYC, monitoramento de transações e triagem de sanções antes da regra final da FinCEN/OFAC.

Quais regras ainda faltam?

Seguem pendentes a regra final antilavagem e de sanções da FinCEN e do OFAC, o processo de reconhecimento de jurisdições estrangeiras, uma regulamentação do OCC sobre capital bancário para ativos digitais e as regras de outros reguladores federais, segundo Sidley e Freshfields. O OCC informará por comunicado quando começar a receber pedidos de licença. Acompanhe a evolução na nossa página de cripto e na regulação dos EUA.

Este conteúdo é informativo e não constitui aconselhamento jurídico ou financeiro.

Fonte

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