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Hack da Binance: US$ 6,3 bi e Coreia do Norte, o que se sabe
Hack da Binance de US$ 6,36 bi, o maior da história: como foi, o que foi congelado, por que a Coreia do Norte é apontada e o que muda para clientes.
Na noite de 29 de outubro de 2026, cerca de US$ 6,36 bilhões em criptoativos saíram de carteiras da Binance em dez blockchains, a maior parte em uns 20 minutos a partir das 20h05 UTC, segundo a análise on-chain da TRM Labs. É o maior roubo de cripto já registrado, cerca de quatro vezes o ataque à Bybit em fevereiro de 2025. TRM, Chainalysis e Elliptic ligam o caso à Coreia do Norte. Abaixo, o que está confirmado, o que ainda não está e o que muda para quem tem dinheiro em corretoras.
O que aconteceu no hack da Binance?
De acordo com a TRM Labs, o atacante assumiu o controle de uma hot wallet (carteira quente, conectada à internet) da Binance no Ethereum usando o recurso EIP-7702, que permite delegar a lógica de uma conta a um contrato. Ele tinha preparado 50 autorizações pré-assinadas; uma delas batia com o contador de transações da carteira. Três minutos e 24 segundos depois da delegação, uma única transação levou 167.464 ETH e 63 tokens, incluindo 1,615 bilhão de USDT. Novos depósitos que chegavam à carteira foram varridos de novo várias vezes até perto da meia-noite UTC. Nas outras nove redes, as carteiras da Binance enviaram fundos por transferências assinadas comuns, o que leva a TRM a avaliar que a infraestrutura de assinatura das hot wallets foi comprometida.
A Binance deu outra pista. Segundo o TechCrunch, a investigação inicial da empresa aponta o notebook "comprometido" de um engenheiro como porta de entrada, que deu acesso a um contêiner de serviço capaz de submeter saques não autorizados. A corretora diz não ter encontrado evidência de vazamento de chaves privadas. Depois, segundo a CBS News, a revisão encontrou mais de um ponto de invasão. A causa raiz completa ainda não foi publicada.
Quanto foi roubado e em quais moedas?
Os valores abaixo são da TRM Labs, a preços do momento de cada saída, com dados on-chain até 00h30 UTC de 30 de outubro:
| Rede | Ativos principais | Valor aproximado |
|---|---|---|
| Ethereum | 200.630 ETH, 1,875 bi USDT, 823 mi USDC, 88,5 mi RLUSD e outros 185 tokens | US$ 3,79 bi |
| Bitcoin | 18.270 BTC | US$ 1,47 bi |
| Tron | 612,7 mi USDT e 46,4 mi TRX | US$ 628 mi |
| XRP Ledger | 233,46 mi XRP | US$ 296 mi |
| Solana | 970.500 SOL | US$ 96 mi |
| Arbitrum, Optimism, Base, Avalanche, Polygon | diversos | cerca de US$ 77 mi |
A preparação começou pelo menos 36 horas antes, com pequenos saques do mixer Tornado Cash para uma carteira operacional a partir de 28 de outubro, de acordo com a mesma análise.
Por que a Coreia do Norte é apontada como autora?
A TRM atribuiu o ataque, com "alta confiança", ao grupo TraderTraitor, que descreve como a unidade de elite de hackers norte-coreana. O CEO da Chainalysis, Jonathan Levin, disse à CBS News que o ataque provavelmente foi obra do mesmo grupo, e a Elliptic também apontou Pyongyang, segundo o TechCrunch, notando que parte dos fundos passou por uma carteira usada no ataque à Bitget. A TRM cita semelhanças com o hack da Bybit e o da KelpDAO, em abril de 2026: saques pequenos do Tornado Cash, preparação antecipada e aprovações pré-assinadas.
O FBI ainda não se pronunciou publicamente sobre o caso Binance. No caso Bybit, o alerta do FBI de 26 de fevereiro de 2025 atribuiu o roubo de cerca de US$ 1,5 bilhão à Coreia do Norte e pediu que corretoras, pontes e serviços DeFi bloqueassem transações ligadas a endereços do TraderTraitor. Segundo a Chainalysis, citada pelo The Record, hackers norte-coreanos roubaram pelo menos US$ 2,02 bilhões em 2025, cerca de 60% de todo o cripto roubado no ano, e US$ 6,75 bilhões desde 2022. Só o caso Binance quase igualaria esse acumulado.
Quanto já foi congelado e como o dinheiro está sendo lavado?
Emissoras de stablecoins podem congelar tokens em endereços específicos, e isso fez diferença. A TRM contava cerca de US$ 2,7 bilhões congelados até 00h30 UTC: aproximadamente 1,77 bilhão em USDT (Tether), 825 milhões em USDC (Circle), 40,5 milhões em RLUSD (Ripple), 27,8 milhões em USD1 e cerca de US$ 30 milhões travados pelo Conselho de Segurança da Arbitrum. A Binance falou depois em cerca de US$ 3 bilhões congelados com parceiros, segundo a Forbes.
O restante, perto de US$ 2,4 bilhões, inclui mais de 420 mil ETH e os 18.270 BTC. A TRM descreve a lavagem em curso: USDT trocado por ETH com deságio de mais de 10%, uso de protocolos de empréstimo como Aave e JustLend para converter stablecoins congeláveis em ativos que não podem ser congelados, e uma "peel chain" que fatia os bitcoins em lotes de 1.000 e 100 BTC. A próxima fase esperada envolve pontes entre blockchains, serviços de swap e corretores OTC, o mesmo roteiro descrito em casos anteriores de lavagem com cripto.
Os clientes da Binance vão perder dinheiro?
A empresa afirma que não. Segundo a Forbes, a Binance disse que cobrirá todas as perdas com o fundo SAFU (Secure Asset Fund for Users) e recursos próprios, que retomará os saques em fases depois de checagens de segurança e que publicará uma nova prova de reservas ao fim da remediação. Os depósitos não foram afetados, segundo a CBS News. Até a publicação deste texto, a empresa não tinha apresentado prova independente de que os saldos estão integralmente cobertos, como observou o TechCrunch.
O que muda para quem guarda cripto em corretora?
O caso reforça três pontos. Primeiro, a segurança de uma corretora depende tanto de pessoas e estações de trabalho quanto de criptografia: o vetor inicial relatado foi um notebook. Segundo, aprovações sem prazo de validade e assinaturas únicas para hot wallets ampliam o estrago, crítica feita por um analista ouvido pela CBS. Terceiro, a capacidade de congelar stablecoins travou quase metade do valor, mas não alcança ETH e BTC.
O que fazer / Como se proteger
- Desconfie de mensagens "da Binance" pedindo login, verificação ou "resgate de fundos": golpistas exploram grandes incidentes. Acesse só pelo aplicativo oficial ou digitando o endereço.
- Não deixe em corretora mais do que usa para negociar; valores de longo prazo podem ficar em carteira própria bem guardada.
- Ative chaves de acesso (passkeys) ou app autenticador, lista de endereços de saque autorizados e alertas de login.
- Acompanhe só os canais oficiais da empresa para saber da retomada de saques e da prova de reservas.
- Se perder dinheiro em golpe ligado ao caso, registre boletim de ocorrência (Brasil) ou denúncia no IC3 do FBI (EUA).
Veja também: painel de cripto, radar de incidentes, como o USDT circula em bancos clandestinos e passkeys e MFA contra tomada de conta.