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Estelionato no Brasil: 2,26 milhões de golpes em 2025 e o que fazer

O Anuário 2026 do FBSP registrou 2,26 milhões de estelionatos em 2025, 258 por hora. Veja os estados líderes, por que poucos casos chegam à Justiça e como agir.

Enquanto os roubos de rua caem no Brasil, o golpe continua subindo. O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgado em julho de 2026, mostra que o estelionato se tornou um dos crimes patrimoniais mais registrados do país. A boa notícia é que a maior parte desses golpes depende de convencer a vítima, e isso dá espaço para prevenção.

Quantos estelionatos o Brasil registrou em 2025?

Foram 2.261.055 ocorrências de estelionato em 2025, segundo o Anuário, citado pela Brasil 61. É uma média de 258 golpes por hora, cerca de quatro por minuto, como destacou o Olhar Digital.

Indicador (Anuário FBSP 2026)Valor
Registros de estelionato em 20252.261.055
Variação sobre o ano anterior+2,7%
Crescimento desde 2018 (início da série)+429,8%
Taxa nacional1.059,4 por 100 mil habitantes
Processos penais instaurados63.771
Pessoas presas pelo crime4.819

A variação anual de 2,7% e os dados de processos e prisões foram publicados pela BNews a partir do Anuário. A série mostra que o salto ocorreu principalmente depois de 2018: o número de registros é hoje mais de cinco vezes o daquele ano.

Por que o golpe cresce enquanto o roubo cai?

O próprio Anuário mostra a outra face da moeda: os roubos de celular caíram 18,6% em 2025, como detalhamos em Roubo de celular no Brasil. Para o criminoso, o golpe tem menos risco físico e alcance muito maior: uma ligação ou mensagem pode atingir milhares de pessoas no mesmo dia.

Segundo a Brasil 61, desde 2021 a categoria inclui também a fraude eletrônica, e o padrão dos estados acompanha o grau de bancarização e digitalização da população. Os golpes mais citados são clonagem de cartão, golpe do WhatsApp, falsa central bancária, leilão ou loja falsa e golpe do Pix.

Quais estados têm mais estelionatos por habitante?

Sete unidades da federação passaram de mil registros por 100 mil habitantes em 2025:

  1. São Paulo: 1.808,3
  2. Distrito Federal: 1.717,0
  3. Paraná: 1.339,1
  4. Rondônia: 1.329,6
  5. Santa Catarina: 1.294,8
  6. Espírito Santo: 1.254,7
  7. Goiás: 1.075,6

Uma taxa alta não significa necessariamente que há mais golpistas ali. Pode refletir também maior facilidade de registro online e mais pessoas usando bancos digitais. Comparações entre estados devem ser feitas com cautela.

Quantas pessoas realmente caem em golpes?

Os boletins de ocorrência são só a ponta visível. Uma pesquisa do próprio FBSP de março de 2026, citada pela Brasil 61, estimou que 15,8% da população com 16 anos ou mais foi vítima de golpe ou perdeu dinheiro pela internet ou pelo celular nos doze meses anteriores, cerca de 26,3 milhões de pessoas. Muita gente não registra, por vergonha, por achar que não adianta ou por ter perdido pouco.

Por que quase nenhum caso chega à Justiça?

Segundo o Olhar Digital, mais de 97% dos estelionatos relatados às polícias não chegam ao Judiciário. Os números da BNews ajudam a entender a escala: 63.771 processos e 4.819 presos diante de mais de 2,2 milhões de registros. Golpes digitais usam contas laranja, chips e perfis falsos e muitas vezes cruzam estados, o que torna a investigação lenta. Por isso, para a vítima, agir rápido junto ao banco costuma ser mais eficaz do que esperar a investigação.

Caiu no golpe? O que fazer agora

  1. Ligue para o banco pelo número oficial (o do verso do cartão ou do app) e peça bloqueio e contestação. Se foi Pix, peça a abertura do MED; entenda os limites em Golpe do Pix em números.
  2. Registre boletim de ocorrência, de preferência na delegacia online do seu estado, com prints, comprovantes e números usados pelo golpista.
  3. Troque senhas e ative a verificação em duas etapas do WhatsApp e do e-mail.
  4. Confira contas abertas no seu CPF pelo Registrato do Banco Central; o passo a passo está em Registrato e BC Protege+.
  5. Avise contatos se seu nome ou foto foram usados para pedir dinheiro.

Como se proteger em 5 minutos

  • Banco não liga pedindo senha, código, transferência para “conta segura” nem manda motoboy buscar cartão. Veja como funciona em Falsa central e golpe do motoboy.
  • Desconfie de urgência: pedido de dinheiro de “parente com número novo”, oferta boa demais ou ameaça de bloqueio.
  • Antes de pagar, confira o nome do recebedor do Pix e se ele bate com quem você acha que está pagando.
  • Defina limites de Pix menores à noite e para contatos novos no app do banco.
  • Combine uma palavra-código com a família para confirmar pedidos de ajuda.

Mais orientações práticas estão em Dicas de proteção, e os casos mais recentes, no Radar.

Fonte

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