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Roubo de carro sem chave: como funciona o ataque relay e como evitar
Ladrões usam aparelhos que ampliam o sinal da chave presencial e levam o carro em segundos. Veja os dados do Reino Unido, Europa e EUA e como se proteger.
O carro está trancado na garagem, a chave está dentro de casa, e mesmo assim o veículo some em menos de um minuto, sem vidro quebrado e sem alarme. É o chamado roubo sem chave (keyless theft), que usa equipamentos eletrônicos para enganar o sistema de entrada e partida presencial. O tema voltou ao centro do debate depois que o Reino Unido criou, em 2026, crimes específicos para quem tem ou vende esses aparelhos. Abaixo, o que os dados mostram e o que você pode fazer hoje.
O que é o ataque relay e por que ele funciona?
Na chave presencial, o controle emite continuamente um sinal de curto alcance que avisa ao carro que o dono está por perto. No ataque relay, descrito em linhas gerais pela imprensa especializada, um equipamento capta e amplia esse sinal perto da casa e outro o retransmite junto ao carro, que “acha” que a chave verdadeira está ali e libera portas e partida. Há variações que exploram a porta de diagnóstico (OBD) para programar uma chave nova. Não é preciso entender a técnica para se proteger: basta saber que a chave não precisa sair de casa para o carro ser aberto.
Qual o tamanho do problema no Reino Unido e na Europa?
Segundo o governo britânico, a pesquisa nacional de vitimização (CSEW) estimou 732 mil incidentes de furto ligados a veículos no ano encerrado em setembro de 2024, e a polícia registrou 375.048 casos, dos quais 132.412 foram furtos do próprio veículo. A Polícia Metropolitana de Londres estima que aparelhos eletrônicos são usados em cerca de 60% dos furtos de veículos na capital. A empresa de rastreamento Tracker informou que, de janeiro a outubro de 2025, os furtos de carros sem chave chegaram ao maior nível em 15 anos e que 93% dos veículos que recuperou tinham sido levados sem a chave original.
No continente, o clube automobilístico alemão ADAC testou mais de 800 modelos com chave presencial e concluiu que só cerca de 15% estavam adequadamente protegidos contra o relay. Na Holanda, a entidade Stichting VbV apontou que a entrada sem chave foi usada em 59% dos carros de passeio furtados em 2025, segundo levantamento citado pela Help Net Security.
| País/fonte | Indicador | Dado |
|---|---|---|
| Reino Unido (Met Police, via Home Office) | Furtos de veículos em Londres com uso de aparelhos eletrônicos | cerca de 60% |
| Reino Unido (Tracker) | Veículos recuperados levados sem a chave (jan–out/2025) | 93% |
| Alemanha (ADAC) | Modelos keyless bem protegidos contra relay | cerca de 15% de mais de 800 |
| Holanda (Stichting VbV) | Carros furtados em 2025 via entrada sem chave | 59% |
| EUA (NICB) | Furtos de veículos em 2025 | 659.880 (−23%) |
O que muda com a nova lei britânica?
O Crime and Policing Act 2026 criou dois crimes que alcançam quem possui, importa, fabrica, adapta, fornece ou oferece um aparelho eletrônico, como um bloqueador de sinal, para furtar um veículo ou algo de dentro dele. A pena máxima é de cinco anos de prisão, multa sem limite ou ambas. A lógica é atacar a cadeia de fornecimento: até então, a polícia muitas vezes precisava provar o uso efetivo do equipamento em um furto.
E nos Estados Unidos, o furto de carros está caindo?
Sim. O National Insurance Crime Bureau (NICB) contou 659.880 veículos furtados em 2025, queda de 23% e menor nível histórico da série, segundo a entidade. A participação de Hyundai e Kia, alvo de uma onda de furtos anos atrás, caiu de 21% em 2023 para 14% em 2025, o que o NICB atribui a atualizações de software e medidas antifurto. Ainda assim, uma análise da seguradora Mercury citada pela Help Net Security ligou a queda mais lenta em estados como a Califórnia à exploração da entrada sem chave e da porta OBD.
Como se proteger do roubo de carro sem chave?
Nenhuma medida é infalível; a ideia é somar camadas que custem tempo ao ladrão. As recomendações abaixo vêm do NICB, da Tracker e de especialistas ouvidos pela imprensa:
- Guarde a chave longe de portas e janelas, de preferência no interior da casa.
- Use uma bolsa ou caixa bloqueadora de sinal (tipo Faraday) e teste: com a chave dentro, o carro não deve destrancar ao se aproximar.
- Trava de volante visível e, se possível, trava da porta OBD.
- Corta-corrente ou imobilizador adicional, instalado por profissional de confiança.
- Rastreador escondido ajuda a polícia na recuperação.
- Mantenha o software do carro atualizado e consulte a concessionária sobre recalls de segurança.
- Estacione em locais iluminados e monitorados; nunca deixe o carro ligado sozinho nem objetos à vista.
O que fazer se o carro sumir
- Ligue para a polícia (190 no Brasil, 911 nos EUA, 999 no Reino Unido) e registre o boletim.
- Acione a seguradora e, se tiver, a central do rastreador.
- Se o carro tinha app conectado ou chave digital no celular, troque a senha da conta da montadora e revogue acessos.
- Verifique se documentos ou cartões ficaram no veículo e bloqueie o que for necessário.
O carro conectado amplia a superfície de ataque, lembrou um executivo do setor à Help Net Security: cada novo meio de acesso, de apps a chaves NFC, precisa de proteção. Para rastreadores pessoais e o risco de uso indevido, veja como saber se um AirTag está te seguindo. Mais dicas em Dicas de proteção, casos recentes no Radar e golpes que começam com o celular em Celular roubado: configurações para ativar já.
Fonte
- GOV.UK — Crime and Policing Act 2026: serious crime factsheet
- NICB — U.S. Vehicle Thefts Experience Historic Decline (mar/2026)
- Help Net Security — Keyless car theft protection (jun/2026; ADAC, Stichting VbV, Mercury)
- Deeside.com — Keyless car thefts hit 15-year high (dados Tracker, nov/2025)