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GM paga US$ 220 mi por vender dados de motoristas: o que muda
GM fecha acordo de US$ 220 milhões com 36 estados dos EUA por vender dados de direção a corretores que abasteciam seguradoras. Entenda o caso e o que muda.
A General Motors aceitou pagar US$ 220 milhões para encerrar um processo movido por uma coalizão de procuradores-gerais de 36 estados dos EUA, que acusavam a montadora de vender dados de localização e comportamento ao volante de seus clientes a terceiros, incluindo corretores de dados (data brokers) que repassavam as informações a seguradoras. O acordo foi anunciado em 29 de outubro de 2026, segundo o The Record, e a coalizão teve entre seus líderes o procurador-geral de Washington, Nick Brown.
É um dos maiores acordos de privacidade de dados de veículos conectados já fechados nos EUA e mostra como o carro virou mais um sensor que gera dados pessoais com valor de mercado.
O que a GM fez com os dados dos motoristas?
Segundo a acusação descrita pelo The Record, de 2016 a 2024 a GM inscreveu milhões de pessoas no programa Smart Driver, apresentado como ferramenta para melhorar a segurança ao volante. A adesão acontecia principalmente nas concessionárias, junto com os serviços OnStar. Funcionários recebiam bônus por inscrições e as lojas eram ranqueadas pelo número de adesões.
A GM teria prometido não entregar dados a seguradoras sem consentimento, mas vendeu as informações a corretores sem avisar os clientes. Segundo o TechCrunch, os dados incluíam geolocalização precisa, comportamento de direção e uso do cinto, e os corretores citados na reportagem original do New York Times foram a LexisNexis e a Verisk. Seguradoras teriam recebido registros com número de viagens, horários de início e fim, frenagens bruscas, acelerações rápidas e excesso de velocidade — dados que podiam pesar no preço do seguro.
Os estados também acusaram a GM de dizer a mais de 370 mil clientes que seus dados não estavam sendo monitorados quando, na verdade, estavam inscritos; a empresa então os desinscreveu sem avisar, e o que já havia sido coletado não foi recolhido de corretores e seguradoras. A prática veio a público em abril de 2024, em reportagem do New York Times, e a GM encerrou o Smart Driver no mesmo ano.
O que o acordo de US$ 220 milhões exige?
| Obrigação | O que significa |
|---|---|
| Consentimento expresso | Pedir autorização clara antes de coletar ou compartilhar dados de direção e localização |
| Minimização | Coletar menos dados de direção |
| Programa de privacidade | Programa abrangente, com avaliações internas e externas (inclusive de terceiro independente) |
| Concessionárias | Mais treinamento e supervisão para impedir inscrições sem aprovação do cliente |
Em nota citada pelo TechCrunch, a GM disse que o acordo trata de um produto encerrado em 2024, que não vende mais informações de veículos ligadas a indivíduos, sua localização ou direção, e que pode compartilhar dados anonimizados com parceiros. A empresa também atualizou sua política de privacidade e criou uma Central de Privacidade.
A GM já tinha sido punida antes?
Sim. Em janeiro de 2026, a FTC finalizou uma ordem que proíbe a GM e a OnStar de compartilhar certos dados de consumidores e exige mais transparência e consentimento explícito, segundo o TechCrunch. Em 8 de maio de 2026, o procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, anunciou acordo de US$ 12,75 milhões: a GM ficou proibida por cinco anos de vender dados de direção a agências de informação de consumidores, deve apagar os dados em 180 dias (salvo usos internos limitados) e pedir à Verisk e à LexisNexis que apaguem o que receberam, segundo a Spectrum News. O Texas move uma ação separada, ainda em andamento, que pede julgamento por júri e multas de até US$ 10 mil por infração.
Por que isso importa fora dos EUA?
Carros conectados coletam dados em qualquer país. No Brasil, a LGPD exige base legal, finalidade clara e transparência para tratar dados pessoais, e geolocalização contínua pode revelar rotina, endereço e hábitos. Na Europa, o GDPR impõe regras semelhantes. O caso GM é um alerta sobre um padrão comum: consentimento obtido no balcão, com pressa, embutido em outros serviços. Veja como os estados americanos vêm legislando no mapa das leis estaduais de privacidade.
Como o motorista pode se proteger?
- Leia o que você aceita na concessionária: pergunte quais dados o carro e o aplicativo coletam e com quem são compartilhados.
- Revise as configurações de privacidade no app da montadora e no painel do veículo; desligue programas de “pontuação de direção” que não quiser.
- Pergunte à seguradora quais fontes de dados usou para calcular seu prêmio, se o valor subiu sem explicação.
- Nos EUA, consumidores de estados com lei de privacidade podem pedir acesso e exclusão de dados à montadora; no Brasil, a LGPD garante direitos de acesso, correção e eliminação.
- Se receber contato “oferecendo indenização” do acordo, desconfie: golpistas costumam explorar acordos famosos. Confirme só em sites oficiais. Veja outras dicas de proteção e acompanhe o radar.
Fonte
- The Record — GM settles with 36 states for selling driver data, agrees to $220 million fine (29/10/2026)
- TechCrunch — GM reaches $220M settlement over selling drivers' private data (29/10/2026)
- Spectrum News — GM driver data California lawsuit settlement (08/05/2026)