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China contra os centros de golpe: 258 mil casos e execuções em 2026

China resolveu 258 mil casos de fraude telecom em 2025 e trouxe 58 mil suspeitos do exterior. Veja os números da ofensiva contra centros em Mianmar e Camboja.

Por anos, chineses foram ao mesmo tempo as principais vítimas e a principal mão de obra dos centros de golpe instalados nas fronteiras do sul da China. Desde 2023, Pequim reage com uma das maiores ofensivas policiais transfronteiriças de sua história: repatriações em massa de Mianmar, extradições do Camboja, dezenas de milhares de processos e, em 2026, execuções de chefes de clãs criminosos.

Os números

IndicadorValor
Casos de fraude telecom e on-line resolvidos pela polícia (2025)258 mil
Suspeitos transferidos à China por cooperação internacional (2025)58 mil
Pessoas denunciadas pelo Ministério Público (2025)cerca de 69 mil
Processos concluídos nos tribunais (2025)41 mil
Chineses trazidos de Myawaddy, Mianmarmais de 7.600
Financiadores e chefes presos542

Em junho de 2026, a polícia informou que os casos registrados de fraude telecom caíam havia oito meses seguidos, desde outubro de 2025.

Mianmar: dos clãs de Kokang a Myawaddy

A primeira onda mirou a região de Kokang, no estado de Shan, dominada por poucas famílias. Em janeiro de 2024, Mianmar entregou à China Bai Suocheng e outros suspeitos de destaque. Em setembro de 2025, um tribunal de Wenzhou condenou à morte 11 membros do clã Ming por fraude, sequestro e homicídio; o grupo foi ligado a 14 mortes de chineses e a mais de 10 bilhões de yuans em receitas de jogo e fraude. Os 11 foram executados em 29 de janeiro de 2026. Em novembro de 2025, um tribunal de Shenzhen condenou à morte cinco membros de outro grupo, ligado a 41 complexos; quatro foram executados em fevereiro de 2026.

Depois, o foco passou a Myawaddy, na fronteira com a Tailândia, onde ficam complexos como o KK Park. Com um mecanismo trilateral China–Mianmar–Tailândia, a polícia chinesa passou a repatriar suspeitos em grandes grupos a partir de fevereiro de 2025.

Camboja: o caso Chen Zhi

Depois que EUA e Reino Unido sancionaram o Prince Group e a Justiça americana denunciou seu presidente, Chen Zhi, em outubro de 2025, a China anunciou em janeiro de 2026 que Chen havia sido levado de Phnom Penh ao país. O banco central cambojano mandou liquidar o Prince Bank.

Os relatórios apresentados ao Congresso Nacional do Povo em março de 2026 mostram o tamanho do esforço judicial: desde 2023, foram aprovados mandados de prisão contra 49 mil pessoas e 47 mil foram processadas. Em 2025, 285 pessoas responderam por fraude, homicídio e lesão corporal contra chineses cometidos sob proteção de gangues do norte de Mianmar. A polícia também divulgou alertas de procurados para 100 financiadores foragidos. Cingapura, Tailândia, Hong Kong e Taiwan relataram apreensões ou bloqueios de bens ligados a Chen Zhi.

Como os centros operam

Os trabalhadores são atraídos por falsas ofertas de emprego e mantidos em cárcere, com passaportes confiscados. Aplicam golpes de investimento, romance e falsa central. O dinheiro passa por contas de laranjas, bancos clandestinos e stablecoins, por isso a polícia chinesa mira os "financiadores".

Em março de 2026, a Suprema Corte informou que os tribunais concluíram 41 mil processos de fraude telecom em 2025, alta de 1,2% sobre o ano anterior.

Balanço

A Procuradoria chinesa afirma que a ofensiva teve efeito dissuasório. Observadores lembram que os complexos se deslocam e que muitos trabalhadores também são vítimas de tráfico humano. A pressão desmontou os maiores polos, mas o modelo de negócio se adapta rápido.

Como se proteger

  • Desconfie de vagas no exterior com salário alto, função vaga e passagem paga, sobretudo para Mianmar, Camboja ou Laos.
  • Não siga dicas de investimento de pessoas conhecidas pela internet.
  • Desligue se alguém, dizendo ser polícia ou banco, pedir para mover dinheiro.
  • Denuncie suspeitas de tráfico ou fraude à polícia e à embaixada do seu país.

Fonte

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