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Vaquinha falsa com deepfake: o que se sabe da Operação Cáritas

Polícia do DF prende 5 suspeitos de usar deepfakes de Gusttavo Lima e padres em vaquinhas falsas que movimentaram R$ 10 mi. Veja como o golpe funciona.

Na quarta-feira, 28 de outubro de 2026, a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou a Operação Cáritas contra um grupo suspeito de criar campanhas de doação falsas na internet, turbinadas por vídeos feitos com inteligência artificial que imitavam o rosto e a voz de pessoas conhecidas. Segundo a polícia, as campanhas movimentaram cerca de R$ 10 milhões, quase sempre em doações pequenas, de R$ 30 e R$ 50. A investigação é conduzida pela 16ª Delegacia de Polícia, em Planaltina, de acordo com o Metrópoles.

Este é um caso típico do que chamamos de golpe de falsa doação: ele explora a solidariedade, não a ganância. E mostra como o deepfake deixou de ser curiosidade para virar ferramenta de escala.

O que aconteceu na Operação Cáritas?

A Justiça expediu seis mandados de prisão preventiva. Cinco suspeitos foram presos no dia da operação: dois em Planaltina (DF), um em Planaltina de Goiás (GO), um em Uberlândia (MG) e um em Joinville (SC). As ações também ocorreram em São Paulo, e a polícia seguia buscando outros alvos, segundo o Jornal de Brasília. Foram apreendidos carros de luxo e identificados criptoativos estimados em cerca de US$ 400 mil (aproximadamente R$ 2,14 milhões), além do bloqueio de bens para tentar reparar as vítimas.

Os investigados podem responder por estelionato eletrônico, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A PCDF não divulgou os nomes dos presos. Como em qualquer investigação, todos são presumidos inocentes até decisão judicial definitiva.

Quem foi imitado nos vídeos falsos?

Segundo as reportagens, os vídeos manipulados usavam a imagem do cantor Gusttavo Lima e dos padres Marcelo Rossi e Fábio de Melo; algumas publicações também usavam imagens religiosas, inclusive de Jesus Cristo. A polícia deixou claro que essas pessoas aparecem apenas como vítimas do uso indevido de imagem, sem participação no esquema, como relatou o SouBrasília.

Como funcionava o golpe da vaquinha falsa?

Pelo que a polícia descreveu, o esquema tinha etapas bem definidas e divisão de tarefas:

  1. Páginas que imitavam campanhas reais. O grupo criava sites e perfis parecidos com os de instituições beneficentes legítimas.
  2. Apelo emocional. As postagens usavam fotos de crianças, idosos e pessoas com doenças graves como supostos beneficiários.
  3. Credibilidade emprestada por IA. Vídeos deepfake mostravam famosos pedindo ajuda, o que reduzia a desconfiança.
  4. Link de pagamento. Quem decidia doar era levado a links e contas controlados pelo grupo.
  5. Valores baixos, volume alto. Doações de R$ 30 ou R$ 50 raramente geram reclamação. Uma única empresa ligada ao grupo recebeu 215.575 transações, que somaram R$ 9.839.087,73 entre 13 de outubro e 26 de novembro de 2025.
  6. Empresas de fachada e cripto. Parte do grupo abria empresas para receber e dispersar o dinheiro, etapa típica de lavagem.

A polícia também encontrou mais de 230 GB de arquivos ligados às fraudes e cruzou 66 boletins de ocorrência no DF envolvendo empresas que receberam dinheiro de outras fraudes eletrônicas, como compras falsas, boletos e investimentos fictícios.

Por que golpes com doações pequenas funcionam tão bem?

O valor baixo é uma escolha. Quem perde R$ 30 muitas vezes não registra ocorrência, não contesta o Pix e nem percebe que foi enganado. Para o criminoso, milhares de pequenas transferências somam milhões com pouco risco de denúncia. A própria PCDF afirma que não é possível associar o total a um número exato de vítimas. Some-se a isso o deepfake: quando um rosto conhecido pede ajuda, a pessoa tende a confiar antes de verificar.

SinalCampanha legítimaVaquinha falsa
Quem recebe o PixNome da instituição ou do beneficiárioEmpresa ou pessoa sem relação com a causa
Vídeo de famosoAparece também nos perfis oficiais deleSó circula em anúncios e perfis novos
Prestação de contasRelatórios, CNPJ, site oficialNenhuma, ou só textos genéricos
UrgênciaPrazo razoável"Só hoje", "última chance"

Como doar com segurança?

  • Confira o nome do recebedor antes de confirmar o Pix. Se o nome não tiver relação com a campanha, cancele.
  • Procure o vídeo no perfil oficial do famoso. Se ele não publicou, desconfie.
  • Doe por canais que você mesmo digitou, como o site oficial da instituição, e não por links de anúncios.
  • Pesquise o CNPJ da entidade e há quanto tempo ela existe.
  • Desconfie de rostos e vozes perfeitos demais, de lábios fora de sincronia e de pedidos com urgência.

Doei para uma vaquinha falsa: o que fazer agora?

  1. Guarde o comprovante do Pix, o endereço da página e capturas de tela.
  2. Fale com seu banco e peça a contestação pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED) o quanto antes.
  3. Registre boletim de ocorrência; no DF e em vários estados é possível fazer pela internet.
  4. Denuncie o anúncio e o perfil na rede social onde você o viu.

Veja também nosso guia sobre golpe de falsa doação, o perfil do golpe da voz clonada por IA, os números de phishing e deepfakes, por que o MED devolve pouco e o radar de incidentes.

Fonte

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