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Seguro cibernético: preços, exclusões e o que as seguradoras exigem
Prêmios globais de seguro cibernético somam US$ 15 bi e as taxas caem há 13 trimestres. Veja os dados do Brasil e dos EUA, as exclusões e os controles exigidos.
O seguro cibernético passou por um ciclo completo em poucos anos: explosão de prêmios, endurecimento das regras de contratação e, agora, um mercado mais competitivo, com preços em queda. Mas a facilidade é só aparente. As seguradoras querem provas de que os controles declarados existem, e as exclusões ficaram mais precisas.
O tamanho do mercado
A resseguradora Munich Re estima que os prêmios globais de seguro cibernético chegaram a quase US$ 15 bilhões em 2025 e projeta cerca de US$ 28 bilhões em 2030 (Munich Re). A empresa observa que o crescimento desacelerou nos últimos três anos, depois de uma alta excepcional, e sua pesquisa de 2026, com mais de 9.500 entrevistados em 20 países, aponta grande potencial de expansão.
Em outra análise, a Munich Re afirma que a maior parte dos riscos cibernéticos ainda não tem seguro, embora seja segurável, e que quase nove em cada dez executivos ouvidos não se sentem adequadamente protegidos (Munich Re). Ransomware, vazamento de dados, fraude por e-mail corporativo (BEC) e DDoS são os quatro principais motores de perdas seguradas, e a maior parte dos incidentes atinge microempresas e pequenas e médias empresas.
Preços: 13 trimestres de queda
Segundo o índice global da corretora Marsh, divulgado em 21 de outubro de 2026, as taxas de seguro cibernético caíram 4% no terceiro trimestre de 2026, a 13ª queda trimestral consecutiva. Nos Estados Unidos, as taxas ficaram estáveis depois de um longo período de reduções; Reino Unido, América Latina, Pacífico e Europa também tiveram cortes (Marsh). No conjunto dos seguros empresariais, a queda foi de 5%.
Brasil: mercado pequeno, sinistros em alta
No Brasil, dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) citados pelo CQCS mostram que, de janeiro a abril de 2026, os prêmios de seguro cibernético somaram cerca de R$ 134,6 milhões, alta de 71,1% sobre o mesmo período de 2025. As indenizações pagas cresceram ainda mais rápido: quase R$ 30 milhões, alta de 253,1%.
A Susep publicou um Manual de Orientações sobre Segurança Cibernética, de caráter orientativo, para ajudar seguradoras, resseguradoras e demais supervisionadas a cumprir os requisitos mínimos de segurança previstos na regulação.
| Indicador | Valor | Fonte |
|---|---|---|
| Prêmios globais 2025 | ~US$ 15 bilhões | Munich Re |
| Projeção 2030 | ~US$ 28 bilhões | Munich Re |
| Variação de taxas, 3º tri 2026 (global) | -4% | Marsh |
| Variação de taxas, 3º tri 2026 (EUA) | Estável | Marsh |
| Prêmios no Brasil, jan–abr 2026 | R$ 134,6 milhões (+71,1%) | CNseg |
| Indenizações no Brasil, jan–abr 2026 | ~R$ 30 milhões (+253,1%) | CNseg |
O que as seguradoras exigem
Um alerta do escritório Shumaker, publicado na National Law Review em setembro de 2026, descreve o que as seguradoras passaram a tratar como condição para cobertura:
- MFA em acesso remoto, e-mail e contas privilegiadas; verificação por SMS é vista como insuficiente;
- EDR em todos os endpoints, com monitoramento contínuo;
- backups imutáveis e offline, separados do ambiente alcançável pelo invasor, com testes de restauração documentados;
- gestão de patches com prazos para vulnerabilidades críticas;
- gestão de acessos privilegiados e menor privilégio;
- treinamento de conscientização com evidências, plano de resposta a incidentes testado, autenticação de e-mail (DMARC, DKIM, SPF) e segmentação de rede.
Mercados de limites altos pedem cada vez mais provas independentes, como varreduras externas, testes de intrusão ou relatórios SOC 2.
O risco de declarar o que não tem
O mesmo texto cita o caso Travelers v. International Control Services (2022), nos EUA: a empresa declarou ter MFA em toda a rede para acessos remotos e administrativos, mas a investigação encontrou MFA apenas no firewall. O tribunal anulou a apólice por declaração falsa relevante. Segundo o alerta, seguradoras atribuem muitas recusas a controles inadequados, declarações incorretas e aviso tardio do sinistro.
As exclusões que mais pesam
Guerra e ataques patrocinados por Estados
Desde 31 de março de 2023, o Lloyd's de Londres exige que os sindicatos incluam em apólices cibernéticas autônomas uma exclusão para ataques patrocinados por Estados, conforme o boletim Y5381 (Kennedys). A cláusula deve excluir perdas de guerra e de ataques estatais que prejudiquem gravemente o funcionamento de um país, esclarecer o tratamento de sistemas fora do Estado atacado e prever um método robusto de atribuição.
Pagamentos a sancionados
Nos EUA, a OFAC lembra que seguradoras que facilitam pagamentos de resgate a pessoas sancionadas podem ser multadas mesmo sem saber da sanção (OFAC). Por isso, a cobertura de extorsão vem acompanhada de triagem de sanções e de exigência de notificação às autoridades.
Checklist antes de contratar ou renovar
- Responda ao questionário com precisão e por sistema, informando exceções e planos de correção.
- Guarde evidências datadas de MFA, EDR, backups e treinamentos.
- Leia as definições de guerra, ato estatal e falha de infraestrutura.
- Verifique sublimites para extorsão, fraude de engenharia social e interrupção de negócios.
- Confira prazos de aviso de sinistro e o painel obrigatório de fornecedores de resposta.
- Aproveite o mercado em queda para negociar limites e franquias, não só preço.
Fonte
- Munich Re – Global Cyber Risk and Insurance Survey 2026
- Munich Re – Cyber insurance: Risks and trends 2026
- Marsh – Global commercial insurance rates fall 5% in Q3 2026
- CQCS/CNseg – Indenizações do seguro cibernético crescem 253% (jul. 2026)
- Kennedys – New Lloyd's Market Bulletin addresses state-backed cyber attacks
- National Law Review – How cyber insurance carriers are raising the bar on conditions precedent
- OFAC – Updated Advisory on Potential Sanctions Risks for Facilitating Ransomware Payments