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Quem é quem em antifraude no Brasil: Serasa, ClearSale, idwall e unico
A Serasa Experian comprou AllowMe, ClearSale e idwall; a unico vale US$ 2,6 bi. Veja quem são os players de antifraude no Brasil e como o setor se consolida.
A demanda por antifraude cresce no ritmo dos golpes. A Serasa Experian registrou 10,9 milhões de tentativas de fraude no Brasil entre janeiro e setembro de 2025, alta de 28,6%, o equivalente a uma tentativa a cada 2,2 segundos, segundo o indicador da empresa. Esse mercado está se concentrando rapidamente nas mãos de poucos grupos. Conheça os principais nomes.
O grande consolidador: Serasa Experian
A Serasa Experian, braço brasileiro da britânico-irlandesa Experian, fez 17 aquisições em 6 anos, segundo o Letsmoney. Em antifraude e identidade, três compras se destacam:
| Empresa | Especialidade | Data | Valor |
|---|---|---|---|
| AllowMe | Inteligência de dispositivo (ex-Tempest/Embraer) | Set/2023 | US$ 45 mi (~R$ 228 mi) |
| ClearSale | Antifraude para e-commerce e pagamentos | Acordo out/2024; concluída abr/2025 | ~R$ 2 bi |
| idwall | Verificação de identidade e background check | Notificada ao CADE em mai/2026 | ~R$ 450 mi (não confirmado pelas empresas) |
ClearSale
A ClearSale abriu capital em 2021 e levantou quase R$ 800 milhões. No ano anterior ao acordo com a Experian, tinha receita líquida de R$ 504 milhões e cerca de 7.400 clientes, segundo a Forbes Brasil. A fusão foi concluída em 2 de abril de 2025, quando as ações deixaram a B3. Os acionistas da classe A receberam R$ 10,56 por ação em dinheiro, informa o EuQueroInvestir. Em dólares, o negócio foi registrado como US$ 350 milhões (Morningstar).
idwall
Fundada em 2016, a idwall captou R$ 260 milhões ao longo da vida, incluindo Série C de R$ 210 milhões em 2021. A venda à Serasa foi notificada ao CADE em 6 de maio de 2026. As fontes falam em cerca de R$ 450 milhões, aproximadamente cinco vezes a receita, mas as empresas não confirmaram o valor, segundo o Startups.
A independente mais valiosa: unico
A unico, ex-Acesso Digital, fundada em 2007, é especialista em biometria facial e identidade digital. Recebeu Série D de US$ 100 milhões liderada pela Goldman Sachs Asset Management em 2022, com valuation de US$ 2,6 bilhões, segundo a Bloomberg Línea. Também tem SoftBank e General Atlantic como investidores. Faz cerca de 25 milhões de autenticações por mês e, em setembro de 2025, comprou a americana OwnID, de passkeys (Foley).
Os outros birôs
- Boa Vista / Equifax: a Equifax assinou acordo para comprar a Boa Vista em fevereiro de 2023 (Equifax). Antes, a Boa Vista havia comprado a Konduto, de antifraude para e-commerce, por R$ 172 milhões. A Konduto já tinha analisado mais de 244 milhões de pedidos (Finsiders).
- Quod: o "birô dos bancos", controlado por BB, Bradesco, Caixa, Itaú e Santander, recebeu R$ 420 milhões da LexisNexis Risk Solutions por uma fatia minoritária em 2022 (Finsiders). Mantém, em parceria com o Itaú, uma base contra contas laranja.
Startups e especialistas
- CAF (Combate à Fraude): nascida no interior do Rio Grande do Sul, captou R$ 50 milhões em setembro de 2025, em rodada liderada pela L4, da B3. Tem mais de 300 clientes e receita 80% maior no primeiro semestre de 2025 (Startups).
- Incognia: identidade por localização e dispositivo, com Série B de US$ 31 milhões liderada pela Bessemer em 2024 (Help Net Security).
- Legiti: antifraude para delivery e e-commerce, captou R$ 42 milhões em 2022 com Kaszek e outros (Baguete).
- Zaig: comprada pela QI Tech em 2021, virou a camada antifraude da plataforma de crédito.
Por que tanta compra
A lógica das aquisições é combinar sinais. Um birô de crédito sabe quem é o cliente e como ele paga. Uma empresa de dispositivo, como a AllowMe, sabe de qual aparelho e de onde vem a transação. Uma de biometria ou de verificação documental, como idwall e unico, confirma que a pessoa é quem diz ser. Juntos, esses dados permitem decidir em milissegundos se uma abertura de conta, um pedido de crédito ou uma compra online deve ser aprovado. Quem tem mais camadas oferece um produto mais completo aos bancos e varejistas, que preferem contratar menos fornecedores.
O papel do Estado
O Serpro, estatal federal de TI, opera o Datavalid. A ferramenta valida dados cadastrais e biometria contra bases oficiais e é usada por bancos na abertura de contas e na concessão de crédito (Serpro).
Leitura do mercado
- Os birôs de crédito viraram plataformas de identidade. Dados de crédito, sinais de dispositivo e biometria se combinam no mesmo produto.
- A consolidação reduz o número de fornecedores independentes, o que pode elevar o poder de negociação dos compradores grandes.
- A tendência é global. Bandeiras de pagamento também compram antifraude, como a Visa com Featurespace e BioCatch.
Fonte
- Forbes Brasil: ClearSale anuncia fusão com a Experian
- EuQueroInvestir: ClearSale finaliza fusão e sai da B3
- Startups: Serasa compra idwall
- Economic News Brasil: Serasa compra AllowMe
- Letsmoney: Serasa soma 17 aquisições em 6 anos
- Bloomberg Línea: unico vale US$ 2,6 bi
- Foley: unico adquire a OwnID
- Finsiders: Boa Vista conclui aquisição da Konduto
- Equifax: acordo para adquirir a Boa Vista
- Finsiders: Quod recebe R$ 420 mi da LexisNexis
- Startups: L4 lidera aporte de R$ 50 mi na CAF
- Help Net Security: Incognia Série B
- Baguete: Legiti levanta R$ 42 milhões
- Serpro: Febraban Sec 2026
- Serasa Experian: tentativas de fraude até setembro de 2025
- Morningstar: Experian completes ClearSale acquisition