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SPF, DKIM e DMARC: como proteger o e-mail da empresa contra fraude
Guia prático de SPF, DKIM e DMARC para pequenas empresas: o que cada um faz, regras do Gmail e Outlook e como evitar que golpistas usem seu domínio.
Um boleto adulterado enviado "pelo seu fornecedor", um pedido urgente de transferência "do diretor", uma fatura "da sua empresa" chegando ao cliente com outra conta bancária. Golpes de comprometimento de e-mail corporativo (BEC) somaram cerca de US$ 3,05 bilhões em perdas declaradas ao FBI em 2025, a segunda maior categoria do relatório do IC3. Parte desses golpes usa domínios falsificados, e três registros de DNS gratuitos dificultam muito essa falsificação: SPF, DKIM e DMARC.
O que são SPF, DKIM e DMARC?
| Registro | O que faz | Analogia |
|---|---|---|
| SPF | Publica quais servidores e IPs podem enviar e-mail em nome do seu domínio | Lista de carteiros autorizados |
| DKIM | Assina digitalmente cada mensagem enviada, provando que veio do seu domínio e não foi alterada | Lacre no envelope |
| DMARC | Diz aos provedores o que fazer com mensagens que falham no SPF ou DKIM (nada, quarentena ou rejeitar) e envia relatórios | Instrução ao porteiro |
A definição segue o guia de segurança de e-mail e antifalsificação do NCSC, o centro de cibersegurança do Reino Unido, que recomenda os três, além de TLS no envio e no recebimento.
O Gmail e o Outlook exigem DMARC?
Para quem envia muito, sim. Desde 1º de fevereiro de 2024, o Google exige que todo remetente para contas Gmail use SPF ou DKIM. Quem envia mais de 5.000 mensagens por dia precisa de SPF e DKIM, de um registro DMARC (a política pode ser "none"), de alinhamento entre o domínio do campo De: e o domínio autenticado, de descadastro com um clique em mensagens de marketing e de taxa de spam abaixo de 0,3% no Postmaster Tools.
A Microsoft seguiu o mesmo caminho: desde 5 de maio de 2025, domínios que enviam mais de 5.000 mensagens por dia para Outlook.com, Hotmail e Live precisam de SPF, DKIM e DMARC. A empresa anunciou que mensagens fora do padrão iriam para a pasta de lixo eletrônico e, depois, seriam rejeitadas.
Mesmo uma pequena empresa que não chega a esse volume ganha com a configuração: suas faturas e cobranças chegam com mais confiança e fica mais difícil para golpistas se passarem por ela.
Como configurar passo a passo?
- Liste quem envia e-mail com seu domínio: o provedor de e-mail (Google Workspace, Microsoft 365 etc.), o sistema de notas fiscais, a ferramenta de newsletter, o ERP, o site.
- Publique o SPF no DNS com todos esses serviços. Evite registros duplicados: o domínio deve ter um único SPF.
- Ative o DKIM no painel de cada serviço de envio e publique a chave no DNS.
- Publique o DMARC com p=none e um endereço para receber relatórios. Fase de observação: nada é bloqueado, mas você descobre quem envia em seu nome.
- Leia os relatórios por algumas semanas e corrija serviços legítimos que falham.
- Endureça a política: o NCSC recomenda começar em "none" e evoluir até rejeitar e-mails falsificados (quarentena e depois reject).
- Proteja todos os domínios, inclusive os que você não usa para e-mail.
E os domínios que não enviam e-mail?
Domínios parados também podem ser falsificados. O próprio domínio gov.br, segundo reportagem do Tecnoblog, recebeu do NIC.br um registro MX nulo e um SPF nulo, que na prática dizem que ninguém pode originar mensagens @gov.br. A mesma lógica vale para domínios de marca, antigos ou registrados só para proteção: SPF que não autoriza nenhum servidor e DMARC em reject.
DMARC acaba com o golpe do e-mail falso?
Não. DMARC impede que alguém use exatamente o seu domínio, mas não barra domínios parecidos (uma letra trocada, outra terminação) nem contas legítimas invadidas. Por isso o processo interno continua essencial: confirmar por telefone, com número já conhecido, qualquer mudança de conta bancária de fornecedor; exigir dupla aprovação para pagamentos; e ativar MFA nas caixas de e-mail. Veja como funciona a fraude BEC e os números de phishing e deepfakes.
O que fazer / Como se proteger
- Peça ao responsável pelo DNS ou ao provedor um relatório de SPF, DKIM e DMARC do domínio.
- Comece com DMARC p=none, leia os relatórios e avance para reject.
- Treine financeiro e atendimento: e-mail com urgência e nova conta bancária é sinal de alerta.
- Se o golpe já aconteceu, acione o banco imediatamente e registre ocorrência; nos EUA, denuncie ao FBI no ic3.gov. Detalhes no relatório IC3 2025.
Mais checklists em Dicas e alertas no Radar.
Fonte
- Google – Diretrizes para remetentes de e-mail
- Petri – Microsoft Outlook exige SPF, DKIM e DMARC de grandes remetentes
- NCSC – Email security and anti-spoofing
- HIPAA Journal – Relatório FBI IC3 2025
- Tecnoblog – As configurações feitas em @gov.br para barrar e-mails falsos