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Salt e Volt Typhoon: o que se sabe dos ataques chineses aos EUA

Hackers ligados à China invadiram teles e infraestrutura crítica dos EUA. Veja o que se sabe de Salt Typhoon e Volt Typhoon: alvos, táticas e resposta oficial.

Duas campanhas de hackers ligados à China mudaram a forma como os Estados Unidos enxergam suas redes. O Salt Typhoon invadiu grandes operadoras de telefonia e chegou aos sistemas usados para grampos autorizados pela Justiça. O Volt Typhoon se instalou em redes de energia, água, transporte e comunicações, no que as agências americanas descrevem como preparação para sabotagem numa crise.

Salt Typhoon: espionagem pela rede telefônica

O caso veio a público em outubro de 2024. Entre as operadoras afetadas estão Verizon, AT&T, Lumen, Charter, Consolidated Communications e Windstream; a T-Mobile disse ter sido alvo, sem acesso a ligações e mensagens de clientes. Os invasores chegaram aos sistemas de interceptação legal, e reportagens apontam acesso a registros de chamadas, mensagens e áudios de autoridades. Os telefones de Donald Trump e JD Vance estiveram entre os alvos, segundo a Nextgov.

Em 27 de agosto de 2025, FBI, CISA, NSA e agências de mais 12 países publicaram um alerta conjunto:

  • A atividade ocorre desde pelo menos 2019.
  • Atingiu mais de 80 países e ao menos 200 organizações americanas.
  • O FBI avisou ao menos 600 organizações de que o grupo demonstrou interesse em seus sistemas.
  • Os alvos vão além das teles: governo, transporte, hotelaria e infraestrutura militar.

A principal porta de entrada foram equipamentos de borda, sobretudo roteadores Cisco, com falhas algumas de 2018 que já tinham correção. Há atividade registrada também no Canadá, Reino Unido, Noruega, Holanda, Itália, África do Sul e, segundo a Trend Micro, no Brasil.

Um memorando do Departamento de Segurança Interna (DHS), tornado público e citado pela Nextgov, relatou que a rede da Guarda Nacional de um estado foi comprometida e que, entre janeiro e março de 2024, o grupo roubou arquivos de configuração ligados a outros órgãos de governo e de infraestrutura crítica. O alerta de agosto de 2025 também nomeou empresas chinesas apontadas como apoio às operações.

Volt Typhoon: posicionamento para sabotagem

Em 8 de fevereiro de 2024, CISA, NSA e FBI alertaram que o grupo comprometeu redes de comunicações, energia, transporte e água nos EUA e em Guam. As agências avaliaram que o objetivo era se preparar para interromper operações numa crise ou conflito, e não espionagem tradicional. Algumas invasões duravam ao menos cinco anos, com técnicas "living off the land", que usam ferramentas legítimas do próprio sistema para não serem detectadas.

As agências recomendaram corrigir sistemas expostos à internet, adotar MFA resistente a phishing, centralizar logs e planejar a troca de tecnologia obsoleta.

O que ainda não se sabe

  • Se todos os invasores foram expulsos das redes das operadoras; em agosto de 2025, o The Register relatou que a ameaça continuava ativa.
  • A lista completa de vítimas e dos dados roubados.
  • Quanto do acesso do Volt Typhoon ainda persiste.

A resposta americana

DataMedida
Jan/2025Tesouro sanciona a Sichuan Juxinhe, ligada ao Salt Typhoon; FCC diz que a lei CALEA obriga teles a proteger redes
Abr/2025Recompensa de até US$ 10 milhões por informações
Ago/2025Alerta conjunto de 13 países
Nov/2025FCC revoga a decisão de janeiro e retira proposta de regras de segurança para teles

A revogação é polêmica: a FCC alegou que a regra era ilegal e ineficaz e que as teles reforçaram a segurança voluntariamente; a conselheira Anna Gomez, voto vencido, disse que o recuo "não é uma estratégia".

O que fazer

  • Corrigir primeiro roteadores, VPNs e firewalls expostos à internet.
  • Substituir equipamentos fora de suporte.
  • Usar MFA resistente a phishing e restringir acesso administrativo.
  • Centralizar e proteger logs para detectar invasões silenciosas.
  • Para conversas sensíveis, preferir aplicativos com criptografia de ponta a ponta, como recomendou o FBI.

Fonte

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