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América Latina: onde os ataques por organização mais crescem

Organizações da América Latina sofreram 3.065 ataques por semana em dezembro de 2025, maior alta entre as regiões. Veja os dados, o papel do Brasil e as causas.

Quando se mede o volume de ataques cibernéticos pelo número de tentativas que cada organização recebe por semana, a América Latina aparece no topo do crescimento global. Segundo a Check Point Research, as organizações da região sofreram em média 3.065 ataques semanais em dezembro de 2025, alta de 26% em um ano. Foi a maior alta entre todas as regiões monitoradas, de acordo com a Intelligent CIO.

A média global no mesmo mês foi de 2.027 ataques por organização. Em março de 2026, a região chegou a cerca de 3.100 ataques semanais, contra pouco menos de 1.500 nos EUA, cerca do dobro, segundo a Dark Reading.

A região em comparação

Região1º tri/20252º tri/2025Dez/2025
Global1.9251.9842.027
África3.2863.365n/d
Ásia-Pacífico2.9342.874n/d
América Latina2.640 (+108%)2.8033.065 (+26%)
Europa1.6121.669n/d
América do Norte1.3571.430n/d

Fontes: Check Point Research, via Check Point Blog (1º trimestre), IT Edge News (2º trimestre) e Intelligent CIO (dezembro). A métrica é a média de ataques semanais por organização.

Uma ressalva importante

Nos dois primeiros trimestres de 2025, a África teve média de ataques por organização maior que a da América Latina. A liderança latino-americana está no ritmo de crescimento, com +108% no 1º trimestre e +26% em dezembro, e na comparação com os EUA. A Check Point não divulgou, nas fontes consultadas, o detalhamento por país dentro da região.

O Brasil no centro do mapa

Outras medições ajudam a ver o peso do Brasil. Os dados da Kaspersky são de tentativas bloqueadas, não de ataques bem-sucedidos:

  • Phishing: 553 milhões de tentativas bloqueadas no Brasil entre julho de 2024 e julho de 2025, 42,8% do total da América Latina (1,29 bilhão, alta de 85%), segundo o InfoMoney.
  • Malware: 408 milhões de bloqueios no Brasil.
  • Ransomware: 549 mil tentativas no Brasil entre agosto de 2024 e junho de 2025, mais da metade do total regional, que passou de 1,1 milhão. O México teve 237 mil, o Chile 43 mil e o Equador 37 mil (Hardware.com.br).
  • Trojans bancários: 10 das 22 famílias mais comuns na região são brasileiras.

Em vítimas confirmadas de ransomware, o Brasil ficou em 3º lugar no mundo em junho de 2026, com 23 casos, atrás de EUA e Alemanha. O México apareceu com 14 (TI Inside).

Setores mais atingidos

No recorte global da Check Point para o 1º trimestre de 2025, os setores com mais ataques semanais por organização foram educação (4.484), governo (2.678) e telecomunicações (2.664). São setores com muitos usuários, sistemas legados e dados valiosos, um perfil comum também na América Latina. Para escolas, órgãos públicos e operadoras da região, isso significa enfrentar ao mesmo tempo o setor mais atacado e a região de crescimento mais rápido.

Golpes contra pessoas

A exposição não é só das empresas. A pesquisa global da GASA com a Feedzai encontrou 72% de adultos expostos a tentativas de golpe na América do Sul, entre os maiores índices do mundo, ao lado da Oceania (73%), segundo a Feedzai. No México, a CONDUSEF recebeu 2,484 milhões de reclamações por fraude no primeiro semestre de 2025, mais de 60% delas digitais. Apenas cerca de 25% do valor reclamado foi devolvido (Vanguardia).

Por que a região é tão visada

As fontes não apontam uma causa única, mas alguns fatores aparecem com frequência nos dados:

  • Digitalização acelerada de pagamentos, com sistemas instantâneos como o Pix, que tornam o dinheiro mais rápido de mover.
  • Investimento proporcionalmente menor em defesa. No Brasil, a cibersegurança representa 6,4% do orçamento de TI, contra média internacional de 8% a 12%, segundo a Brasscom (Teletime).
  • Falta de profissionais. O ISC2 estimou um déficit de 214.536 profissionais de cibersegurança no Brasil em 2024. A força de trabalho de toda a América Latina era de 1,27 milhão de pessoas (ISC2).
  • Ecossistema criminoso local maduro, como mostra o peso dos trojans bancários brasileiros.

O investimento está subindo

A Brasscom estima que o Brasil investiu R$ 22,2 bilhões em cibersegurança em 2025, alta de 66% entre 2023 e 2025. A projeção é de R$ 25,6 bilhões em 2026 e R$ 38,2 bilhões em 2029.

O que fazer

  • Priorize o básico: autenticação multifator, correção de vulnerabilidades e backups isolados cobrem a maior parte dos vetores de ataque.
  • Treine contra phishing, a ameaça mais volumosa da região.
  • Monitore credenciais vazadas e acessos remotos.
  • Considere serviços gerenciados de segurança quando faltarem profissionais internos.
  • Revise o orçamento de segurança frente à média internacional.

Fonte

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