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Ciberataques no Japão: GMO, JAL e Sony, o que explica a onda

Japão vive emergência no ciberespaço: GMO recusou resgate de ¥ 8 bi, JAL teve 92 mil clientes expostos. Números, suspeitas sobre IA e o que fazer.

O Japão atravessa a pior sequência de ciberataques de sua história recente. Em poucas semanas de outubro de 2026, a GMO Internet recusou um pedido de resgate de cerca de ¥ 8 bilhões (US$ 50 milhões), a Japan Airlines informou que dados de reserva de cerca de 92 mil clientes foram acessados via fornecedor, e a Sony Network Communications revelou o roubo de dados de mais de 2,5 milhões de pessoas. A primeira-ministra Sanae Takaichi reuniu o gabinete em 26 de outubro e prometeu medidas emergenciais. O chefe do centro nacional de cibersegurança chegou a falar em "estado de emergência no ciberespaço", segundo a Recorded Future.

O que aconteceu com a GMO e o Onamae Desktop Cloud?

A GMO Internet, registradora de domínios, detectou em 20 de outubro uma intrusão no Onamae Desktop Cloud, serviço de servidores virtuais. Malware pode ter sido instalado em até 26.739 servidores de clientes. A empresa confirmou o roubo de dados em 24 de outubro; em 26, avisou que os criminosos planejavam vazar dados e disparar um ransomware deixado antes; em 27, pediu que clientes fizessem backup, desconectassem e desligassem os computadores antes do meio-dia. Mais tarde, confirmou a publicação de dados da empresa e de clientes.

A GMO se recusou a pagar, ofereceu ¥ 5.000 por cliente pelo transtorno e anunciou recompensa de ¥ 150 milhões (cerca de US$ 1 milhão) por informações que identifiquem os autores — recebeu 321 dicas em dois dias. Credenciais de MetaTrader 4 e 5 usadas por corretoras de câmbio podem ter sido expostas, e alguns usuários relataram operações não autorizadas. Segundo o BleepingComputer, nenhum ransomware parecia ter sido ativado nas máquinas dos clientes, e nenhum grupo havia sido identificado.

Quais outras empresas japonesas foram atingidas?

EmpresaO que foi divulgado
Japan Airlines / JTAAcesso a reservas de ~92 mil clientes via Amadeus; para ~2 mil, também passaporte, e-mail e telefone; sem cartões
ANAIncidente semelhante em sistema de reservas ligado à Amadeus, em investigação
Sony Network CommunicationsMais de 2,5 milhões de pessoas com dados roubados (So-net e Plala)
SourcenextAPI de membros usada para acessar 22,5 milhões de registros (13/10)
IDCFrontierRansomware em provedor de nuvem afetou 495 empresas e governos locais (7/10)
Burger King Japão / Capcom11 milhões e 11,7 milhões de registros, respectivamente

Por que tantos ataques ao Japão agora?

Os números confirmam a escalada. A Recorded Future contou alta de 48% nos relatos de ataques a entidades japonesas do segundo para o terceiro trimestre de 2026 (de 621 para 918). A Trend Micro informou que os ataques de janeiro a setembro já superavam todo o ano de 2025, com 86 só em setembro. A Macnica identificou 119 vazamentos de dados pessoais em sistemas web divulgados em 2026, cerca de 68% deles desde julho.

As explicações apontadas por analistas:

  • Sistemas antigos: pesquisa de abril citada pela Recorded Future indica que mais de 60% das empresas japonesas ainda usam sistemas legados ou sem suporte.
  • APIs mal protegidas e credenciais de nuvem roubadas, além de falhas conhecidas — o JPCERT/CC alertou para uma falha crítica (CVSS 10) no Metabase e para web shells.
  • Inteligência artificial: há relatos de agentes de IA automatizando varreduras e exploração, e a IA reduz a barreira do idioma no phishing em japonês. A GMO Cybersecurity by Ierae teria concluído que a ferramenta chinesa de código aberto ARTEX, de testes de invasão com IA, foi usada contra cerca de 80 empresas japonesas; a Recorded Future a associa a um grupo que chama de TAG-217. A Macnica, porém, não confirmou uso de IA nos casos que analisou — atribuições ainda são preliminares.
  • Mais transparência: a Lei de Defesa Cibernética Ativa, em vigor desde 1º de outubro, obriga operadores de infraestrutura crítica a notificar incidentes, o que tende a aumentar o volume de divulgações.

O que isso tem a ver com o Brasil e os EUA?

Muito. A JAL e a ANA foram atingidas por um fornecedor global de reservas, a Amadeus — o mesmo tipo de risco de cadeia de suprimentos que afeta empresas em qualquer país. Os EUA já discutiram os ataques com o governo japonês. E dados vazados viram matéria-prima para phishing: a própria JAL avisou que contataria os afetados e alertou para ligações e e-mails fraudulentos.

O que fazer se você é cliente de uma empresa atingida?

  • Desconfie de e-mails, SMS e ligações que citem sua reserva ou conta — use só canais oficiais.
  • Troque senhas e encerre sessões ativas (a GMO pediu isso a usuários de MT4/MT5); ative autenticação forte, de preferência passkeys.
  • Se o passaporte foi exposto, fique atento a tentativas de uso da sua identidade.
  • Empresas: atualizem sistemas expostos à internet, limitem extração em massa por APIs, testem a restauração de backups e guardem menos dados pessoais.

Acompanhe novos casos no Radar e veja pagar ou não o resgate.

Fonte

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